A Garganta da Serpente
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Atena - "Nasci. Cresci. Ainda não me reproduzi. E um dia vou morrer. Enquanto isso, colaboro no blog Idéias Mutantes, onde também publico meu Teatro de Bonecos, e fico por aí na Rede tentando me expressar, para ver se alguém finalmente reconhece o meu inegável talento. Nem que o tal talento seja apenas o de imaginar possuí-lo. Coisas que eu queria muito: publicar um livro legal para adolescentes e fazer uma pintura ou desenho que eu mesma achasse o máximo. E também ter mais grana do que eu tenho agora. Mas fazer questão mesmo eu só faço é de ter saúde, pra mim e pros meus, além de uma morte tranqüila e serena."

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Se eu soubesse que a melissinha de plástico, o conguinha e as sandálias havaianas que eu me envergonhava de usar iam virar ícones cult um dia, eu não teria ficado tão triste por não ter estado na moda com aquela bota da Xuxa que eu tanto queria e nunca ganhei...

Aliás, se pelo menos alguém tivesse me dito (e provavelmente alguém deve ter dito, mas eu não acreditei) que era muito melhor ser original do que ser igual a todo mundo, eu teria usado aquele vestido branco de bolinhas vermelhas totalmente retrô que a costureira me fez para usar festa de quinze anos da minha prima, ao invés de ter desistido dele na última hora e pedir emprestado um vestido dela - pagando o mico ainda maior de desfilar com uma roupa pra lá de manjada pertencente à aniversariante...

Ah, se eu soubesse que sentiria saudades até mesmo dos rótulos dos produtos que consumia, desde a embalagem do Galak, com aqueles bichos estranhos desenhados e do Lolo - quando ainda era Lolo - até a caixa de gizão de cera que de um lado tinha a turma do bem e do outro o lado a turma do mal - e de que quase ninguém mais se lembra - eu teria guardado pelo menos um exemplar de cada um deles em algum esconderijo a ser aberto apenas vinte anos depois.

Se tivessem falado antes que um dia eu morreria de curiosidade de ver novamente o meu caderninho da primeira série e os desenhos do pré que a minha mãe nunca guardou, eu mesma os teria guardado, sem ceder à tentação de jogar tudo fora quando o ano acabasse...

E se eu soubesse que a minha avó baixinha, vagarosa, analfabeta e banguela com quem não queria que meus amigos me vissem iria me fazer muito mais falta do que eles, e que aquele amor irrestrito, sincero e gratuito jamais iria se repetir novamente em minha vida, teria tanto orgulho dela que desejaria mostrá-la ao mundo todo...

Maldito clichê mais verdadeiro, por que a gente só dá o devido valor àquilo que já perdeu?


Atena


O escritor deve acreditar na luz. Mas o escritor não é um iluminador. Como uma janela, ele filtra a luz que lhe atravessa a alma
(Marisa Raja Gabaglia)

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