A Garganta da Serpente
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Eliane Rubim - "Entendas, eu não faço isso porque quero, eu apenas não tenho outra opção... Os goles são amargos, as luzes não mais brilham. Só me resta encenar horrivelmente o meu papel".

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Indefinível

É preciso força
Na terra de cegos
A luz é indiferente

Outro dia eu tive um sonho
Todo lugar era iluminado
Os dias embriagados

Eu via tudo
Mas nada era de verdade

Ver o que é falso
de que me adianta?
Vejo melhor
de olhos fechados.


Bons Ares

Tudo o que nos atinge
de cima
é mais louvável.

Minha glória
seria morrer por uma bomba
resultado de ataques aéreos.

Minha família receberia
medalhinhas, condecorações,
indenização.

Tornaria-me imortal,
onipotente.

Morte
Fruto de bons ares.

O anil não me completaria
Do alto, semente jazida.

O céu continuaria o mesmo
mas a terra estaria banhada
de destruição e dor.

A morte sepultada
em partículas.
E o sol continua brilhando.


Eliane Rubim


Pois o poeta é como a mulher: precisa de dar à luz
(Leopold Sédar Senghor )

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