| Cláudio B. Carlos (CC) |
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Réquiem para Adalberon
(Cláudio B. Carlos)
Cheguei, apeei do cavalo e lá estava ele, balançando, pendurado
na velha figueira que como mão que protege, estendia os galhos sobre
o rancho. O cusco me recebeu ganindo alvoroçadamente como que querendo
me mostrar o dono enforcado. Galinhas, ao derredor da casa, ciscavam alheias.
No fogão a lenha: uma chaleira com água e algumas brasas que preguiçosas
se transformavam lentas em carvão. Depois da vala aberta o enrolei no
poncho e o plantei próximo aos eucaliptos. Agora são duas cruzes
ali: a da finada Dorvalina e a dele, onde depois de puxar pela memória
algumas nênias, atei o lenço colorado. Montei a cavalo e a despacito
fiz o trajeto inverso, trazendo comigo o peso do imenso vazio de quem perde
um amigo. O cusco seguiu-me na modorra da tarde que se extinguia...
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