A Garganta da Serpente
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O Amor de Lena

(Diego de Castro Capitão)

Lena nascera em uma pequena cidade do interior. Desde cedo, fora criada na pequena propriedade que seus pais possuíam, rodeado de algumas galinhas, alguns cavalos e porcos e outros tantos bois. Não eram ricos, mas também nada lhes faltava. E nesta vida pacata Lena passou toda a sua mocidade, cativando a rapaziada do lugar com sua esplendorosa beleza. Vários foram seus pretendentes e a todos Lena recusara. Até que um dia fora tomada pela paixão ao conhecer Polaco, um peão das redondezas que migrara para sua pequena cidade recentemente, para trabalhar em uma propriedade local. Polaco era um negro forte, alto, portentoso. Possuía uma musculatura avantajada, o que aumentava seu aspecto viril.

No início, sua família não recebera bem esta notícia. Logo Lena, a moça mais desejada da região, ia apegar-se a um peão de fazenda? Quando tantos outros filhos de grandes fazendeiros locais por ela se interessavam? E ainda por cima um negro? Como aceitar netos Crioulos? Mas a paixão de Lena era maior do que a teimosia dos pais e esta acabou casando-se com Polaco tempos depois. E não se pode dizer que não foram felizes. Polaco gostava de Lena, mas adorava uma farra e um trago. Por vezes Lena dormiu solitária em sua cama à espera de seu amor, que encontrava-se nos diversos bolichos do vilarejo, muitas vezes acompanhado de algumas damas. Talvez nem tão damas assim. Mas Lena permitia-se sustentar esta situação, mesmo porque ela era a favorita de Polaco, e por isto com ela ele havia se casado. E Polaco era um excelente marido, cumpridor de seus deveres conjugais. Melhor dizendo, Polaco era um exímio fodedor. Insaciável, Polaco currava a sua esposa todas as noites e depois ainda saia á procura de diversão. Não satisfeito, ao retornar pra casa de madrugada, lá estava Polaco em cima de Lena arfando sobre seu corpo. Não era à toa que o apelido de Polaco entre as damas do lugar era de "Cavalo Negro", tanto pelo seu vigor, pela sua cor, quanto também pelo seu pênis, que, diziam algumas línguas, em nada devia ao do animal. Apesar da sua movimentada vida sexual, não tiveram filhos, devido à infertilidade de Lena. A princípio, ela até ficara chateada, mas achou que estava sendo compensada pela vida e não podia reclamar de nada.

Mas subitamente Polaco teve um mal súbito e morreu. Sem qualquer sinal, Polaco deixara sua amada sozinha. Lena muito sofrera com este acontecimento, mas nada que pudesse fazer reverteria esta situação. Logo Lena voltou a ter admiradores na cidade. Os galanteios eram cada vez mais frequentes, pois Lena ainda era nova e continuava bonita. Mas a todos ela renegava, pois homem jamais seria como Polaco, alegava saudosa. Seu único passatempo era passear a cavalo pelas redondezas, ostentando sua beleza a todos os homens da região, que nada podiam fazer a não ser admirar seu semblante ao longe, montada em seu cavalo.

Mas existia um homem determinado a conquistar o coração de Lena. Era um rico fazendeiro da região. Tantos foram seus galanteios a Lena e esta não cedia que determinado dia criara coragem e fora até a casa de sua amada, disposto a fazê-la esquecer de Polaco. Ao chegar em sua casa, notou que estava vazia. Começou a procurar por Lena, até que viu a porta do estábulo entreaberta. À medida que se aproximava, escutava a voz de Lena, só não conseguia distinguir o que ela dizia, mas parecia estar falando com alguém. . Seu coração palpitava. Teria Lena arranjado um novo amor? E que o escondia de todos, encontrando-se às escondidas em seu estaleiro? Ou podia até mesmo estar sendo vítima de algum assalto? Apressadamente abriu a porta do estábulo sem que Lena percebesse e ao tentar observá-la, não acreditava no que via. O cavalo de Lena debruçava-se sobre ela e dava estocadas violentas em seu sexo. Lena urrava de prazer, dizendo que seu abdômen estava sendo invadido e que adorava ser deflorada. Não acreditando naquela cena, ele ainda teve tempo de ouvi-la: Vai Polaco! Isto! Vai, meu nego! Eu sabia que tu não ias me abandonar!

Aos poucos o homem foi saindo sem ser percebido do estábulo, saiu de lá apressado e nunca mais voltou. E Lena viveu feliz para sempre.

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  • Publicado em: 16/08/2005
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