A Garganta da Serpente
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Cérebro

(Diego Hang Borges)

Hoje é mais um dia como qualquer outro, minha íris continua branca, cega para enxergar a luz da tua ofensa, colérica, mas, deslumbrada com a patética pastosidade do licor do meu corpo.

Assim, prossigo na viril altitude, chegando no ápice da tua mitocôndria, te fazendo sentir o meu cheiro, num afago simples e rotineiro.

Meus pêlos eriçados vislumbram a rugosidade epitelial, somatizada a camurça que sinto se recostar a mim. Sinto o vigor do pressionamento dos poros, conjugados, em um ritmo ardente com a magnitude da dilatação dos mesmos, excitando a vida como obra de arte.

Quando suas pirâmides papilares percorrem o meu corpo, ouço e exalo sons, sofridos, angustiantes, mas para quem não obteve a dádiva de ser um objeto carnal.

Eu que me expresso contaminado-te com minha ironia, excretada pelos forames que formam o meu corpo, peço que não rejeite o perfume das flores vermelhas que eu te dei, hemáceas de cor viva e aspecto fulminante, percorrendo o ar até chegar a sua retina, aonde podes perceber, toda a clareza e facilidade com que meus átrios e ventrículos pulsem a vida, para o lugar onde tudo isso se resume em uma só palavra.

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