A Garganta da Serpente
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A fuxiqueira

(Djalma Filho)

Desencavou-lhe mil defeitos. Depois que passaram a morar na mesma casa, deu para abrir todas as suas cartas. Ganhara o rosto na janela desde cedo, antes mesmo que a filha menstruasse. Todo homem - para ela - era um safado de berço, e toda mulher, uma grandessíssima descarada. Andava de salto alto e com os olhos para além do muro dos vizinhos. Pobre coitada!

Inventou-lhe mil amantes. Depois que passaram a morar na mesma casa, decidiu acompanhar seus passos qual uma sombra ciumenta. Perdera bem jovem o marido não por excesso de ânimo, mas sim, pelo desejo incontrolável de abrir-lhe sempre os bolsos, as carteiras, os lenços quando, cansadíssimo, voltava para casa. Irrecuperável, passou a fazer o mesmo com o genro.

O coitado, difamado, apesar de esposo da filha, num rasgo de jesuscristice inesperado, sacudiu-lhe os ombros, deu-lhe as costas, trancou-se no quarto com a mulher e fizeram amor o mais alto que puderam. Afinal de contas, sogra é sogra!

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