A Garganta da Serpente
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No rio...

(Igor Machado)

E o jovem rapaz se jogou no rio... Sua face estava carregada de cansaço, de abatimento, de desgosto por tantas prisões e distâncias ao seu redor. A TV não lhe distraia, assim como os livros, as músicas, as musas, os parentes, os amigos. Nada!

E o jovem rapaz se jogou no rio... Tinha esperança de ou virar peixe ou se afogar. Nada mais tinha sentido, o único sentido era o da correnteza do rio que se jogara. Não se afogou. Por algum mistério ou milagre da natureza, virara peixe e seu corpo estava repleto de escamas.

E o jovem rapaz se jogou no rio... E virou peixe, e aprendeu a viver no rio. Começou a visualizar seu lugar no imenso rio, e o lugar dos demais integrantes. Com pouco esforço atraiu amigos e inimigos, amores e desamores. Talvez seu desinteresse causasse tanta atração e repulsa.

E o jovem rapaz se jogou no rio... E o tempo passou e ele conheceu toda fartura e seca possível para um peixe no rio. Por mais de uma vez quase que era fisgado em pescas humanas, mas com já havia pescado quando rapaz, não caiu na armadilha. Mas num dia como outro qualquer, o rapaz-peixe, foi pescado por uma ave pescadora. Esse ataque ele não conhecia.

E o jovem rapaz se jogou no rio... Virou peixe, conheceu as regras do mundo ribeirinho e foi pescado por uma ave. Do alto, no bico de seu predador, ele estava próximo de ser engolido, quando numa mistura de sorte e desespero a fuga foi concretizada. Só que a altura era imensa, e embaixo não era água e sim chão. Pela distância, ou a morte o levaria ou o peixe viraria rapaz novamente. Nesse instante ele desprezava ambas opções. Então ele fechou os olhos e sonhou. Sonhou com um mundo diferente daqueles que o esperava, sonhou com a liberdade, com o infinito. E faltando poucos segundos para o chão o absorver, algum mistério ou milagre da natureza aconteceu, então ele virou ave e começou a voar...

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