A Garganta da Serpente
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Solidão

(Israel Silva de Alcantara)

Num daqueles dias outonais, quando a tarde corre modorrenta, com o vento arrastando as folhas secas caídas das arvores, Dryka caminhava tranquila pela alameda de jatobás frondosos e esvoaçantes. Balançava suas negras madeixas que bruxuleavam ao vento, fazendo cantar ao ouvido a canção dos ventos uivantes.

Menina pródiga de curvas, mulher delineada com o instigante pincel da natureza, que se fez generosa ao dar-lhe contornos ao colo, e que remetia suas formas a um delicado instrumento musical de rara sonoridade. Passear não era o termo mais adequado para definir o que fazia, pois seus passos repetiam os de uma gazela, tal a graciosidade no seu caminhar, ela quase deslizava por sobre as folhas secas que o vento acumulara pela alameda.

Em dado momento, seus olhos cor de mel, que lembravam amêndoas maduras, tal a forma e contorno, se encontraram com os olhos de Tom, que caminhava no sentido contrário, e tinha olhos negros como azeviche, e meigos como de potro que passeia ao lado de sua mãe, olhos vivazes, e capaz de mostrar a alma, porque eram transparentes como cristal polido.

Se paixão ou amor não nasceu naquele instante...Não haveria de existir jamais, pois com olhos interiores, perscrutaram suas almas, um do outro, e leram mutuamente o que se inscrevia no coração de cada um.

Solidão, letras grandes, e bem grafadas, reluziam como a clamar que fossem apagadas.

Então como se já fossem bons e velhos conhecidos, e tomados pela intrigante força que os colocou face a face, sem que, houvessem sequer se apresentado, ou até mesmo sem que soubessem um o nome do outro, compreenderam a força que os ligava, e deram-se as mãos, caminhando juntos nesta trilha que chamamos de vida.

O fim desta história? De que importa?

Temos os elementos para que seja escrito um vasto romance recheado de cenas sensuais, ou apenas um pequeno conto de uma minúscula história humana.

E temos também a imaginação que vive dentro de cada mente humana e em nossos corações ansiosos, portanto vou deixar o restante fluir da alma de quem quiser concluir esta singela história de amor.

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