| Jô Oliveira |
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>Inimigo abstrato
(Jô Oliveira)
Olhando indiscretamente um homem que passava, pensou no quanto sonhara em ter
um daquele para si: barba bem feita, perfume caro, roupas bem passadas e alinhadas...
Mas o destino não lhe fora muito camarada. Pelo contrário. Pensou
que ele mais parecia odiá-la. Refletiu também sobre como sonhar
é doído. Ajeitou os seios dentro da blusa transparente, pôs
um sorriso triste no rosto e fez sinal para o caminhoneiro de sempre.
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