A Garganta da Serpente
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Fuga

(João Paulo Parisio)

Ela escapou de um assalto na rodovia correndo para o mato. Passou três dias ou mais caminhando a esmo até encontrar abrigo. Não, não é uma notícia de jornal, nem enredo de literatura infanto-juvenil, livro paradidático. Ela não encontrou onças nem muitos perigos além de seus medos, não caiu num buraco e ficou presa, não quebrou a perna ao topar numa raiz. Talvez tenha deparado com cobras, mas não é isso que conta. Já ela trespassada de sete riscos ter bebido de regatos na concha das mãos, já isso conta algo, e o fato dela ter contemplado estrelas é preponderante. Ela ter começado a observar tudo o que se move como potenciais presas conta muito: ela fora uma náufraga. Descera ao inferno da natureza. Involuntariamente experimentara o universo dos desbravadores. Trazia uma cicatriz no olhar ao ser encontrada.


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