| Mário Jorge Lailla Vargas |
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Raimunda Cleusa e o Programador Maluco
(Mário Jorge Lailla Vargas)
A turma de administração de 1987 na UFMS foi a mais bacana que
Mário Jorge conheceu em todos os cursos. Comparável só
o pessoal do teatro da Missa pirada, da 8ª série de 1978. Entrou
em 1985 mas, como tinha muita disciplina atrasada, acabou convivendo com a turma
de 87. Os alunos doutras turmas eram um bando de individualistas, egoístas
e competidores. Só essa de 87 é que era excepcional.
Foi a turma que compensou toda a chatice do curso. A turma e o professor Lomba.
Sobre ele a narrativa Professor Lomba.
Ali se destacavam Gil e Roseli. Gil era um tipo afrescalhado, boca solta (até
diria língua-de-trapo) e amigão. Roseli era do tipo aberta, sem
reserva, sem preconceito. Seu único defeito era ser um tanto indiscreta.
Imagines a figura de Sônia Braga na novela Gabriela, cravo e canela. Pronto!
Bem parecida com Roseli. Só que muito, mas muito mais bem-humorada. Ficaram
mais unidos ainda quando fizeram estágio na LBA (com jornal pirata e
tudo), junto com Celeste, Regina e Socorro.
Foi uma época muito ruim pra Mário Jorge, que detestava o curso
e só na animação deles pôde encontrar ânimo
pra continuar durante algum tempo. As aulas eram terrivelmente chatas, os professores
um poço de mediocridade e os colegas um lamaçal de indiferença,
como se poderia esperar de campo-grandenses. Mas Mário Jorge, sempre
que podia, mantinha um clima de criatividade. É uma lei da vida: Se vivendo
em ambiente chato se procura inventar graça dalguma forma, pois ninguém
é de ferro. A professora de teoria geral da administração
era uma mulherzinha horrorosa a não mais poder, Tarsila. Cabelo de jamaicano
cantador de regue, rosto bexiguento e sempre mal-humorada. Em certa aula Mário
Jorge recortou um desenho de bruxa e escreveu o nome da professora, fazendo
passar de carteira a carteira, o que fez enorme sucesso, pois a analogia era
sugestiva. Às vezes, ao correr a lista de presença, ele levava
uma almofada de carimbo, lambuzava o dedão, punha no lugar da rubrica
e completava a caneta: Universitário Analfabeto.
Quando Mário Jorge saía do estágio na LBA direto à
aula das 17h, e tendo pressão baixa, era inevitável a sonolência.
Uma vez chegou a brigar com Tarsila por causa de apagar durante a aula.
Professor Lomba discursava contra isso, achando que se o aluno dormia era porque
sua aula era muito chata. Mas não brigou com professor Lomba. Esse não.
Esse era gente-fina. Os professores se estressam desnecessariamente com um fenômeno
tão natural. Ao ser acordado com descompostura, por Tarsila, disse e
saiu da sala:
- Quem dorme é porque está com sono, não porque a aula
é chata. Quando dá sono se dorme até em estripetise. A
gente faz estágio, se vira. Não vive só dando aula como
certos professores chupim!
Certa vez Kátia, professora de processamento de dado, chegou toda chocante:
Camisa rosa-choque, colete amarelo, calça rosa-choque, cinto amarelo,
sapato amarelo, brinco amarelo. Tudo em combinação rosa-choque
com amarelo-canário. Roseli comentou, em baixa voz, que Kátia
parecia uma palhaça. Mário Jorge fez correr e carteira em carteira
o bilhete:
O cabelo de Kátia não está combinando
Não está loura
nem pintou o cabelo de rosa-choque |
Kátia, mestiça de japonês com francês (francês?,
professor França? Não. Claro que não), tinha cabelo negro.
Roseli teve um ataque de riso por causa da indumentária exótica
da Kátia. Ria meio sufocado, até que foi tomada por uma crise
de soluço. O pessoal da proximidade ficou olhando, meio sem saber o que
era. Teve de se levantar e tentar afogar o soluço no banheiro.
Noutra vez levou um desenho dum asno com a inscrição Teoria
da burrocracia nos dias de aula em que se falava de teoria da burocracia.
Outro dia tirou cópias, no computador, de seu texto feito especialmente
pra isso: Jão Baloque, e o distribuiu entre os colegas. Uma sátira
sobre a burocracia.
Coisa interessante que fez foi Casamento de Flávia. O texto do
convite que imprimiu no computador:
Flávia & Thomas
Com um beijo e um olhar se encafifaram
A cada vez que ela ficou de-lua brigaram
Visando futuras noitadas se reconciliaram
E com este convite brega se casaram (!)
ELE, louco pra dar o bote e fugir da raia
ELA, louca pra levar o bote e não ficar falada
Realizar-se-á em 24 de setembro de 1988, 20h na
Igreja Santa Flávia, situada à rua 15 de
Novembro 545, o casamento
Flávia & Thomas
Os noivos receberão os pêsames
no local
Traje: colete a prova de bala |
Célebre era a tererezada. Os convites impressos diziam:
Tererezada do Mário
Sensacional e afrodisíaco tereré de limonada
Não percas
vaga limitada |
Marcavam um fim de semana pra se reunir na casa de Mário Jorge e tomar
muito tereré de limonada, a turma toda. Limonada com quebra-pedra, boldo,
hortelã, canela. Tendo uma plantação de limão-rosa
e deixando porção congelada, tinha limonada até em época
de falta de limão no mercado. Foi ali que nasceu a idéia de fazer
uma festa de amigo oculto no fim de ano.
O amigo oculto dessa turma da administração em 1987 foi muito
divertido. Com exceção dalguns espíritos chochos até
que as cartas iam bem. Mário Jorge tirou Carlos Alberto e, como estava
sem inspiração pra criar uma personagem nova, pois seu Poeta Doido
já estava manjado, e meio desanimado com o pessoal que não tinha
senso de humor nem gostava de escrever cartinha (só pensa em presente,
uma praga em todo amigo oculto. Êta materialismo!) resolveu atacar de
Raimunda Cleusa. Raimunda Cleusa foi uma criação do desânimo.
De má vontade criou uma personagem porque tinha de criar, e... deu certo!
Assim escrevia carta a Carlos Alberto com a letra toda tremida e relaxada, cheia
de erro, em nome de Raimunda Cleusa.
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Ô Carlão!
Como é que vai?, cara!
Escrevo pra você porque sei quié um cara sem precunceito
que tau a gente fazer 1 amisade (nada colorida)? Sai pra lá! Meu
negócio é mulher!
Sou Raimunda Cleusa sapatão assumido vá lá em casa
pra gente olhar umas revistas de mulher pelada ou jogar futebol só
que estou com medo de ganhar sapato de meu amigo oculto, será que
ele vai saber que o meu número é 44?
assinado
Raimunda Cleusa Troncoso Militão
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A assinatura era um contorno de sapato bem longo terminado num laço e
com o número 44 no centro. Mário Jorge não imaginava que
a personagem faria tanto sucesso. Como faltava muito à aula só
ficou sabendo perto da revelação, quando Roseli, Gil e Flávia
lhe contaram que Raimunda Cleusa fez o maior frissão. Todo mundo achava
que era mulher. Alguns achavam que era sapatão mesmo. Rosane ficou assustada,
achando que tinha uma sapatão a querendo agarrar porque Raimunda Cleusa
escreveu a Carlos Alberto, dizendo que gostava muito das meninas da UFMS e que
Rosane era uma uva. Carlos Alberto respondeu que, pra ele, Rosane estava mais
pra abacaxi. Rosane não andava mais sozinha no corredor.
Além de Raimunda Cleusa atacava também, em menor tempo, de Programador
Maluco ou ressuscitava o Poeta Doido pra Flávia e Roseli, que eram as
meninas mais extrovertidas de todas. Essas duas eram as responsáveis
pelo entrosamento dele na turma.
Cezira, outra simpatia, é uma garota a quem Mário Jorge ensinara
processamento de dado, fizera programa e dera cola nas provas. O Programador
Maluco mandou a ela o seguinte programa:
10 data Campo Grande, novembro de 1987
20 print "oi gata"
30 if "Você sabe quem é a Raimunda Cleusa?" then "Sabe
nada" : goto 50
40 print "nem saberá tão cedo"
50 print "tchau"
60 rem Raimunda Cleusa
A Flávia o Poeta Doido mandou um cartão cuja capa: És
uma princesa. No lado de dentro um desenho duma múmia: ... depois
de abrir o sarcófago.
Professora Kátia recebeu do Programador Maluco o seguinte programa maluco:
10 clear : print "Oi oi oi"
20 if A=0 then 150
30 goto 150
40 print "?"
50 goto 60
60 print : print "Respondas logo!"
70 goto 130
80 print "ganhar de presente";
90 goto 40
100 rem
110 print "assinado"
120 print : print "Programador Maluco"
130 goto 140
140 goto 160
150 print "O que queres "; : goto 80
160 h=1+h : if h<>50 then 160 else 170
170 end
180 rem PROGRAMA MALUCO
Kátia mandou, como resposta, uma longa listagem onde cada letra da resposta
aparecia grifada e o recebedor tinha de ir catando. Respondeu de volta: Obrigado
pelo rascunho.
Raimunda Cleusa escreveu de novo:
Ôa!
Como é que tá?, Carlão.
Ontem tive um desgosto. Veio um cara me paquerar. Aí eu tive que
ter com ele uma conversa de homem pra homem. Mas ele não levou a
mal, não. Fizemo até uma queda de braço mas não
teve graça ô sujeito mole!
Vamos tomá umas pinga?
Raimunda Cleusa |
Carlos Alberto respondia meio sem-jeito, meio que entrava no clima. Não
sabia se brincaria ou falaria sério.
Outro sucesso era Melequinha. Mandava umas cartas bem eróticas à
lourinha Adriana. Ela detestava mas o pessoal se deliciava com as cartas como
Vou lamber, me babando todo, esses teus seios bicudos. Todo mundo acusava Mário
Jorge de ser Melequinha.
Flávia recebeu esta cartinha:
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Hoje levei um tombo tropeçado
Fiquei tonto de não saber se tinha vindo ou ido
Estava doendo um bocado
Ai, que tombo sofrido
De poeta doido virei poeta doído
O Poeta Doido
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Rosane recebeu esta:
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Feliz Natal
e menos matagal
Bom Ano-novo
Começará tudo de novo!
O Poeta Doido
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E Roseli esta:
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Estou sempre perto de ti
Mas menos que o outro
Não sou do cerne
Intruso sou
Adotado fui
O Poeta Doido
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Estavam sempre juntos, Mário Jorge, Gil e Roseli, mas Gil passava mais
tempo com Roseli. Não sou do cerne: São da turma 1987 e Mário
Jorge é da de 1985.
Raimunda Cleusa deixou na caixinha um cartão natalino aberto, pra todo
mundo ler:
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Desejo a mim
uma feliz Natália
e uma próspera Ana nova
Raimunda Cleusa
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Mário Jorge recebeu a seguinte carta:
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Um dia nas férias do
aluno Mário Jorge
1 Desjejum
disquetes com geléia e suco de memória auxiliar
bananas integradas com mel processado
2 Almoço
arquivos ao molho pardo
wordstar à mineira
acompanha vinho UCP
3 Jantar
arroz informatizado com salada Kbyte
Solution 16 assado na hora
Churrasquinho de CP-500
4 Sobremesa
doce de abóbora draivinizada
assinado:
O Olho Indiscreto
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Mário Jorge respondeu:
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Realmente. Gosto dum búfer variado.
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A festinha de revelação foi numa noite quente, num 17o andar que
era a casa de Andréia. Mário Jorge chegou cedo e só havia
o sujeito que lidava com o som. Apareceu irmã de Andréia e pediu
pra dançar mas, maldita timidez!, ele disse que não dança.
notou a irritação estampada no rosto dela mas não deixou
isso estragar sua festa. A festinha tinha som alto mas não estridente,
ambiente de pouca luz, meio penumbra. O pessoal dançava muito. A música
era muito gostosa, muito forró. Nada daqueles roques ou sertanejos irritantes.
Mesmo ele, que se aborrecia em festa, gostou muito. Os outros achavam que ele,
por ficar sentado, não estava gostando. O que gosta é de ver e
ouvir, não de dançar.
Sugeriu a Andréia que, prà revelação ficar mais
emocionante, à medida que se revelasse cada um pulasse pela janela.
Na meia-noite se iniciou a revelação.
A segunda pessoa a se revelar foi Maria do Socorro.
- Meu amigo... não parou de dançar até agora. - Fez uma
pausa - É o Mário!
Surpreso, pois não recebera carta além da de Olho Indiscreto,
foi de encontro a ela. Enquanto abria o pacote um colega desconhecido disse
bem alto:
- Se não fosse Mário, fazendo e ensinando programa e dando cola,
muita gente não teria passado em processamento de dado.
Mário Jorge viu, de soslaio, a cara de Kátia. Pensou:
- Putz! O cara fez um tributo mas me queimou com Kátia. Bom... Agora
já danou, mesmo.
Aplausos. Finalizado o aplauso geral, falou:
- Antes de revelar meu amigo farei uma homenagem. Conferirei o troféu
Cola do ano a uma aluna, devido a seu desempenho na prova de processamento
de dado.
Tirou do bolso um tubinho de cola vazio, onde colara a etiqueta Troféu
Cola do ano, o levantou, bem alto, em triunfo, e fez suspense, rodando dum
lado a outro, até entregar a Cezira, com grande pompa. E Kátia
vendo tudo com uma cara de quem tomou chá de folha de eucalipto. Mais
tarde alguém observou:
- Entregou o troféu diante de Kátia!
Kátia era a professora de processamento de dado, carrasco que só
vendo.
Em seguida foi pegar o presente que estava num caixote de papelão. Carregou,
fingindo estar muito pesada.
- Escrevo carta a todo mundo. Ora sou o Poeta Doido. Quando estou um pouco mais
são sou o Programador Maluco.
Kátia se espantou. Perguntaram sobre Melequinha.
- És Melequinha. Não é?
- Não, não. Melequinha não sou, não. Mas como aqueles
pseudônimos já estão muito manjados tive de bancar a Raimunda
Cleusa.
Foi uma barulheira só. Carlos Alberto não queria acreditar. Abriu
o pacotão, achou um pacotinho preso com durex, intitulado Fita de
Júlio Iglésias. Dentro uma fita usada de máquina datilográfica
IBM eletrônica, com o bilhete: Esta fita foi usada na máquina de
escrever de Júlio Iglésias. No fundo um livro de computação.
Flávia, bem ao lado de Kátia, disse, apontando o dedo à
professora:
- Livro de computação precisarás muito.
Cezira se aproximou e disse:
- Aguardes, viu Mário!, que te aprontarei uma também.
Melequinha era Sídnei, um japonês.
Quando Roseli teve sua vez gritaram em coro:
- Taradinha, Taradinha, Taradinha!
Era seu pseudônimo no amigo oculto da LBA, onde faziam estágio:
Bem se diz que a fofoca é mais rápida que a velocidade do som.
- Aé?, Mario. Tá rindo? É? Então contarei que teu
pseudônimo, na LBA, foi Travesti da Costa-e-Silva.
- Hahahahahaha
No fim da festa apareceram duas garotas doutro semestre. Quando uma delas, de
cabelo esvoaçante e vestido armado afunilado tal qual um violão,
se apresentou todo mundo assobiou:
- Fi-fiu!
Parecia que o assobio não pararia mais.
Carlos Alberto contou que gostara tanto da idéia de Raimunda Cleusa que
resolveu usar o pseudônimo no amigo oculto de seu trabalho. Êta
plágio! Quem dera o pessoal de Roliúde resolvesse se inspirar
em Raimunda Cleusa! Se for pobre é plágio, se for rico é
baseado em...
O mesmo colega desconhecido se aproximou e disse:
- Então eras Raimunda Cleusa, hem! Ninguém esperava.
Mário Jorge se despediu, com suas personagens, da Administração,
na festa do aniversário de Celeste. Os colegas se reuniram na casa dela
e Mário Jorge, Gil, Roseli e Regina compraram em comum um presente e
puseram este cartão:
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Nome teu é Celeste
Alva a pele que te reveste
Fico te olhando que nem peste
Imaginando quando você te despe
O Poeta Doido
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O desdobramento dessa história toda foi que em 1990, no curso de ciência
da computação, Kátia, nada esportiva, foi à desforra:
Deu a Mário Jorge, como tarefa, fazer um programa impossível (divisão
por zero). Teve de ir recorrer ao coordenador porque ela insistia em dar zero.
Mas essa é outra história.
apêndice
Pra que o leitor de todos os tempos entenda o espírito-da-coisa, um
breve esclarecimento sobre essa linguagem de programação, a
linguagem beisque (basic), hoje aposentada e já então
decadente:
O computador executará cada linha na seqüência numerada
(cada linha inicia com um número). Comandos são palavras reservadas
que o computador reconhecerá (podem estar em maiúsculas ou minúsculas).
Idem pruma variável, um nome pra armazenar uma frase ou número
(A, aa, ab, A1...) que funciona como na matemática O comando goto
ou go to (ir até) manda ir à linha indicada. O
comando if (condicional se, completado por then (então))
executa o que está diante de then se a proposição
for verdadeira, e o ignora passando à linha seguinte, sendo falsa.
Assim o comando na linha
20 if A=0 then 150
vai à linha 150 se A=0, e à linha seguinte se não. O
comando else não é imprescindível. Significa senão.
É usado após then pra se executar quando a pergunta de
if for falsa, antes de pular à linha seguinte. Print
(imprima) é o comando pra imprimir o que está entre aspas
diante do comando. Rem (remarque) é nulo, só pra
mensagem e marcação dentro do programa. Uma linha iniciada com
rem não é executada. End (fim) finaliza
a execução. : (biponto) separa um comando do seguinte na mesma
linha. Data (dados) é um comando pra entrada dos dados
que serão lidos em série por outro comando chamado read
(ler). Aqui o Programador Maluco, jocosamente, colocou data
significando data e não dado.
Um programa (ou qualquer rotina dentro dele) deve ser o mais enxuto possível,
economizando linhas, comandos, pulos (goto) e memória. Principalmente
sendo muito iterativo (repetitivo), como nas séries ou frações
contínuas. Nesse caso um infinitésimo de segundo a mais resulta
em muito desperdício de tempo.
Faço a explicação pro leitor do futuro compreender como
os programas do Programador Maluco são completamente malucos e propositadamente
embolados, fazendo um monte de voltas e re-voltas pra chegar a quase nada.
Como um programador cantinflas.
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