A Garganta da Serpente
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O último silêncio

(Paulo Valença)

À cama, o corpo reduzido, de ossos furando a pele, o rosto enrugado, o nariz crescido, os olhos sem brilho, a cabeleira cheia, alva e a voz também irreconhecível, sussurrada:

- É você, Fábio?

Lacônico, como sempre, ele se avizinha:

- Sim, papai.

Disforme pela doença, o rosto cadavérico se vira, procurando-o. O braço magro ergue-se e a mão trêmula busca, busca.

Ele entende e, como se temesse magoar essa mão, aperta-a devagar e, sendo humano, sem mais se conter... permite que as lágrimas lavem-lhe as faces frias.

Próxima, a velha - testemunha silenciosa da cena - abandona apressada o quarto e no corredor, joga-se nos braços do outro filho, que lhe afaga os cabelos finos, branquinhos.

- Temos de ser fortes, mamãe. Deus quis assim...

No quarto, a mão sem calor liberta a outra e, mais do que nunca, o silêncio se interpõe entre pai e filho.

O último silêncio.

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