A Garganta da Serpente
  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

Motel Louvre

(Victor Menegatti)

Nota do escritor - Férias não remuneradas
Eh... Não estou sendo pago por dormir.

Prólogo - Bebê?

-Qual é seu nome? -disse uma voz feminina.
-João Maria! [João Maria/Idade? 27 anos/Cabelo? Preto/Olhos? Não irá doar/Altura? 1,68/Tamanho do buraco da bunda? Não sabe ao certo]
-E o quê faz aqui? -perguntou a secretária
-Ora, aqui não é um hospital?
-Sim, mas o quê faz aqui?
-Minha mulher vai ter um filho!
-Eu não vejo a barriga dela...
-Cala a boca! Está bem grande, veja!
-Ah! Tá certo, ela vai ter um filho! Fique aqui e espere, que nós vamos logo entrar numa sala de parto!
-Sala de parto? [8 horas depois]
Um senhor se aproxima de João Maria.
-Olá!
-Quem é o senhor?
-Sarapago, Doutor Sarapago. [Nicolas Sarapago/Idade? 54 anos/Abortos? 17/Cirurgias do dedão do pé? 58/Casamentos? 9/Divórcios? 11/Pênis Ereto? ...nunca mais/Existe remédio? Não...]
-Então doutor? -o médico abaixou a cabeça.
-Ele não sobreviveu...
-Não! Eu quero ver como ela está, deve estar acabada...
-Quem? -disse o doutor.
-Ora, minha mulher!
-Que mulher?
-Ela também morreu?! Não, que mundo cruel!
-Quem entrou na sala de parto foi um homem!
-Então onde está minha mulher?
-Você não sabia que sua mulher era um homem?
-O quê?! Não, não é verdade!
-É sim! Meu pobre rapaz, vocês nunca?
-Nunca?!
-Transaram?
-Claro que sim!
-E você não percebeu o negócio dela batendo em você?
-Credo doutor, que pergunta!
-Quer dizer que vocês entravam num quarto e você não sabia nada?
-Não!
-Ela nunca quis tomar a posição de ativa?
-O quê? Ora doutor e o quê me diz da barriga?
-Que barriga?
-Do bebê, da minha mulher!
-Ah coitado! Quero dizer, coitada!
-Por quê doutor?
-Bem, ela estava... Ah! Quer saber, sua mulher era um baita de um traveco e eu vou chamar de ele!
-Tá bom doutor, continua!
-Bem, ele tava com um grau pesado de gastrite...
-É?
-É, foi uma bagunça, tivemos que abrir na hora.
-Sério?
-Isso foi depois de eu ter tomado o susto quando fui tirar o bebê e... Eh, não vamos entrar em detalhes!
-E depois?
-Bom, meti o bisturi nele e a barriga esvaziou. Credo... Ficou um cheiro de coisa putrefata, que só você vendo! Ou melhor cheirando! [Risada leve seguida de uma tosse]
-E?
-E o quê? A barriga ficou lá, aberta e os gases saindo, depois costuramos tudo de volta e pronto!
-Pronto?! Mas ele não morreu?
-Ah, é! Eu, sem querer é claro, deixei cair ácido sulfúrico e alguns pregos antes de fechar a barriga. Sabe... Acontece com muita naturalidade se é que você me entende.
-Meu Deus!
-Não agora vem a melhor parte! [pausa para uma risada de soslaio] O ácido sulfúrico dilacerou tudo por dentro e abriu um buraco nas costas! Hehe, os pregos saíram sem estrago algum e agora eu vou poder construir a casinha do meu cachorro! Eh, João Maria! Ei, pessoal, um cara apagou aqui, tragam a maca!
[Algumas horas depois]

-Onde estou? -perguntou João.
-No hospital!
-Eu tive um sonho tão estranho, doutor Sarapago...
-É? Levanta, que não foi um sonho! [risada leve]
-Não!
[Algumas horas depois]

-Acorda, homem!
-Ah, doutor! Eu não consigo acreditar!
-E eu? Como você não sabia que era um homem? E as luzes?!
-Que luzes?
-Luzes que piscam, gritam e avisam, que chegou a hora que você sonhou! São anos de espera que chegou ao fim, o frio na espinha apesar do calor! Muito boa essa banda! Nénão?
-Doutor, que luz?!
-A luz do quarto, quando vocês faziam o tchacabum!
-Bem, nós apagávamos!
-O quê?! E como foi o seu casamento?
-Eu vou contar como foi meu...



Capítulo 1 - Casamento

-O meu casamento foi bem alegre!
-Hum, alegre?
-Quer ficar quieto e deixar eu continuar a estória?
-Desculpa!
-Bom, eu conheci Nefasta...
-Esse era o nome daquilo?
-Sim, e daí?
-Continua!
-Bem, e nós nos casamos...
-E o quê aconteceu?
-Nada, ela era virgem...
-Ela te disse isso?
-Sim!
-Ela mentiu?
-Não!
-Como você sabe?
-Bem, os pais confirmaram...
-E eles nunca olharam ela pra ver o "ele"?
-Não sei! Acho que não...
-Isso é muito estranho.
-Sim, é mesmo! E agora doutor?
-Os pais dela?
-Estão mortos, a máfia russa fuzilou eles num antigo campo de concentração...
-Existe máfia russa?
-Sim!
-Algum parente?
-Só restou... Eu!
-Bem, você deve decidir como quer que ela seja enterrada... A propósito, no que o senhor trabalha?
-Sou dono de um motel.
-Dono de motel! E não sabia nem sobre sua esposa! Você deve ser muito enganado nessa vida, não?
-Bem, eu fiz muito dinheiro!
-E como você fará?
-Eu tive uma ideia...



Capítulo 2 - Luto

[Barulho de avião] [Voz do piloto]

-Senhor João Maria, está bom nesta altura?
-Sim! [Nefasta: Cremada, suas cinzas misturadas com água voando sobre um horizonte perdido. Cairá como uma chuva sobre um campo lindo de primavera]
-Adeus, Nefasta!
-Não! Senhor João Maria! -tarde demais, o imbecil tinha jogado as cinzas com o barril, que estava prestes a cair lá embaixo.
-O quê foi, piloto?
-Tem uma criança brincando no parquinho... Ai! Caiu na cabeça dela e... Ai! O barril abriu e as cinzas cegaram os olhos dela... Xiii, tá tendo uma convulsão... Meu Deus! A pazinha que ela tava brincando entrou na cabeça dela e o cérebro tá exposto!
-O quê?!
-Teremos que fazer um pouso forçado e salvá-la! -o avião fez um loop no ar, um oito, ganhou nota 10 no quesito acrobacia e desceu perto do parquinho.
-Vamos João Maria!
-Espere piloto! -João saiu correndo minutos depois atrás do piloto. Ouviu alguém gritando, era o piloto.
-Não! Júnior, meu filhinho! Hoje você faria 8 anos! Eu ia chegar mais cedo do trabalho para te dar o avião do Jaspion (Jaspion tinha avião?), que você tanto sonhava! -João, após ver aquilo, voltou correndo para o avião, tentando pilotá-lo. O piloto correu atrás do avião, mas ele já estava longe.
-Eu não o culpo, senhor João!
-O quê?! -já era tarde, João estava lá em cima vendo os pássaros.
Depois de um tempo, urubus vindos da Malásia ficaram na frente do avião e foram atropelados, alguns entraram na hélice e fizeram o motor parar de funcionar. O avião bateu numa montanha...



Capítulo 3 - Motel Louvre

Por intervenção divina (ou talvez por apenas trocar de capítulo), João estava são e salvo recebendo clientes no seu motel. Uma mulher saiu correndo afoita, gritando para João:
-Que foi moça?
-O quarto vinte sete! É assombrado! A besta comeu meu marido!
-Em que sentido?
-No pior!
-E qual é o pior?
-Venha ver!



Capítulo 4 - O mistério do quarto 27

João andou sorrateiro, abraçado a mulher do homem comido pela besta zodiacal. Chegando no quarto 27, tentaram abrir a porta e ouviu-se um grito.
-Meu Deus! É a Besta mesmo! -disse João.
-Besta é você, desgraçado! -falou uma voz vinda de dentro do quarto.
-Meu Deus! O diabo falou comigo, eu vou pro Inferno!
-Eu não sou o Diabo, sou um homem!
-E o quê você faz aí?
-Bem, eu e meu namorado...
-O senhor é gay?
-Bissexual, por favor!
-Continua!
-Nós estávamos brincando de pique-esconde pelado e eu estava "animadinho".
-E?
-Bem, eu corri até a porta, e ele tropeçou e bateu a cabeça na porta, que fechou na pontinha do meu...
-Ai! Deve ter doído.
-Bem, você se acostuma...
-Como vamos tirar você daí?
-Meu namorado está tendo ataques epiléticos. Xiii... Ele tá espumando! -a mulher começou a falar.
-Meu marido tem esse problema! Ei garoto, como é este homem?
-Por quê quer saber do Marcelo?
-Marcelo?! Esse é o nome do meu marido!
-(Opa!) Eh, eu não falei Marcelo! Eu disse que ele é magricelo!
-Eu ouvi Marcelo!
-Isso não importa! -interviu João -Vai lá pegar o machado!
-O quê?! Machado! Não! Eu não quero perder meu pequenino!
-Nós só vamos arrombar a porta!
-Ufa! -a mulher trouxe o machado. -Nós vamos arrombar agora a porta!
-O quê? Não estou ouvindo! -infelizmente (como sempre!) era tarde demais, o homem encostou o ouvido na porta para ouvir melhor e o machado atravessou sua cabeça, João retirou o machado (feliz da vida) da porta e dela começou a escorrer sangue.
João começou a gritar e jogou o machado nas mãos da mulher. Apenas correu e deixou a mulher ali, com o machado ensanguentado.

"Hoje foi morta a assassina das cabeças. Após uma denúncia anônima, a polícia entrou no motel e viu uma mulher com um machado ensanguentado nas mãos. Não querendo soltar o machado e ameaçando jogá-lo, a polícia atirou, mas infelizmente ela já tinha matado o marido e o amante do marido. O dono do motel conseguiu fugir..."

Capítulo 5 - O quê houve com o doutor Sarapago?

-Eu estou muito bem, obrigado! [O quê houve com o Maradona?]
-Muita droga! [O quê houve com sua esposa?]
-Como assim? [Haha, tracei ela ontem!]
-Filho da mãe! Os narradores sempre levam a melhor! [O quê houve com João Maria?]
-Foi numa exposição de um cavalo! Ei! Peraí! Você traçou minha mulher?! [Tô saindo]
-Filho da [pi]!



Capítulo 6 - O museu do cavalo encantando

João Maria chegou no museu e viu o cavalo encantado. Era a coisa mais feia do mundo! Um cavalo todo deformado, que mais parecia um camelo com uma corcova na barriga!
Enquanto via, não percebeu que a mulher do motel tinha uma irmã que veio se vingar! Ela apontou uma arma e atirou no cavalo e saiu correndo, João Maria ficou lá, vendo o cavalo sem braço e sem cabeça... Ele, o dono do museu e a polícia...



Capítulo 7 - 5mil 217 zeros antes da vírgula

Bem, são nestas partes que é chato pro narrador, não há o quê falar! O quê eu vou falar? Que ele tá ferrado? Que tá devendo pra Jesus? Que matou os... Ei, peraí, João tá me chamando naquele canto. O quê foi João? Ah! Eu não posso te denunciar? Me paga por baixo e nós chegamos a um acordo, belê? Ah! Tá bom, falô irmão!
Bem, agora ele também tá me devendo...



Capítulo 8 - Pulei

Bem, João pulou de um prédio alto...



Capítulo 9 - Caí

Eh... Ele caiu...



Capítulo 10 - Quebrei os 4 dentes da frente

Ele quebrou os cinco, quer dizer, os quatro dentes da frente e foi parar no hospital. Droga! Esse era o próximo capítulo!



Capítulo 11 - Hospital



Capítulo 12 - Em busca da vida

Em um sonho, ele viu sua esposa e, finalmente, descobriu o sentido da vida! Agora João sabia pra que vivia! A partir daquele dia, ele iria viver cada segundo de sua vida! Iria trabalhar muito e ganhar suas férias! Estava alegre por viver e por ter que pagar tudo que não fez!



Capítulo 13 - Morri

Bem, ele não sobreviveu a lavagem estomacal do Doutor Sarapago e morreu. O quê?! Filho da puta! Não me pagou o quê devia!
Nota: Ele não tinha tomado overdose nenhuma e nem precisava de lavagem estomacal...



Epílogo - A vida de um bicho é melhor?

Mas que pergunta! Claro que é! Ainda que aquele desgraçado do João Maria não me pagou!

Céu - estou lá?

Não

Inferno - e aqui?

Graças a suas mentiras e assassinatos, também pela "Santíssima" Igreja Católica não aceitar os gays, João Maria foi parar numa sauna de lava, ardendo no Inferno com sua esposa, ele sim! Ele a amava! [Enquanto isso, ouve-se um bebê nascendo num banheiro feminino...

FIM

Para quem não percebeu, isto é uma sátira, lançada para pegar o "profissionalismo" humano, que muitas pessoas, insistem em possuir! Não sou contra ninguém, mas existem os bons, os jeitosos e os péssimos...

(10/07/2004)

  • 3435 visitas desde 18/01/2006
menu
Lista dos 2201 contos em ordem alfabética por:
Prenome do autor:
Título do conto:

Últimos contos inseridos:
Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente
http://www.gargantadaserpente.com.br