A Garganta da Serpente
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A Situação

(Victor Menegatti)

Prólogo - Cidade em chamas

"Aqui estou eu de novo, faminto, sem proteção, sozinho e ferido. Não achava que aquele dia ia me trazer tantos infortúnios. Eu conto pra todos vocês o quê houve... E no final, se você quiser continuar com isso, eu lhe digo; Não queria que isso tivesse acontecido... Não queria que fosse desse jeito..."

Nossa estória começa no fatídico 11 de Setembro de 2001, não, não é fatídico por causa daquela explosão toda que aconteceu lá na América do Norte, é fatídico por que tinha sido a primeira briga que eu tive no colégio; não deu outra, apanhei igual um cachorro sem pernas. Você deve estar se perguntando qual foi o motivo de eu ter usado um cachorro como exemplo, certo? Eu não sei! Apenas achei que um cachorro sem pernas demonstra que eu estava indefeso! Então, voltando à estória, naquela época eu tinha uns 16 anos e já estava terminando o colégio, o quê é motivo de orgulho, afinal, eu nunca tinha repetido! Mas meus amigos tinham algo que eu não tinha; eles já sabiam o quê queriam do futuro, tinham alguns que queriam até ser traficantes e haviam formado uma "sociedade maconheira brasileira" que o lema era "Carpe Diem e viva a vida" eu simplesmente não entendia! Aquelas palavras significavam a mesma coisa! Mas voltando ao assunto, eu fui indo sem muito o quê dizer e sem muito o quê fazer, fui apenas indo...


Capítulo 1 - O besouro na janela

Ao completar 18 anos em 2005, minha vida mudou para melhor, conheci uma menina muito bonita chamada Lina, na verdade o nome verdadeiro dela era Eliana mas ela o odiava e pedia para todos que a chamassem de Lina (o quê eu não entendia, Eliana era um nome tão elegante!). Com o passar do tempo eu fui ficando muito amigo de Lina e ela foi começando a mostrar interesse por mim, assim como eu por ela...

-Ei, Lina, do quê você tem mais medo? -eu perguntei, temendo que nós não tivéssemos assunto enquanto andávamos caminho afora até chegar a minha casa onde eu queria mostrar um cd novo da banda BOA.

-Ora, hum, esta pergunta é meio difícil de se responder não acha? -disse ela enquanto seus lindos fios de cabelo negro balançavam em meio à poluição gerada pelas grandes indústrias que se alastravam São Paulo afora. Era realmente um cenário triste de se ver, o sol, que não aquecia mais nossos corpos há algum tempo, mostrava uma luz sombria e pacata que se estendia além do horizonte, mapeando terrenos que não eram usados fazia um tempo já. Além disso, eu morava perto de um terreno baldio, que era separado de minha casa apenas por uma grade. Quando era criança gostava de jogar pedras no laguinho enquanto minha mãe fazia a comida; era tudo tão simples! Mas agora o laguinho secou, meus amigos não tão nem aí pra mim e eu estou aqui do lado da garota que eu mais amo e não tenho coragem nem de falar com ela!

Mas enquanto eu pensava nisso tudo nem percebi que ela já me olhava fazia um tempo e uma fina lágrima escorria por minha face! Eu entrei em pânico, afinal, um homem como eu chorando na frente da mulher que mais teria que demonstrar ser forte! Nada passava por minha cabeça, apenas queria enxugar as lágrimas e dar um desculpa a ela, poderia falar que um cisco tinha entrado no meu olho ou falar que a fumaça tinha deixado meus olhos sensíveis, mas não, apenas continuei andando sem falar com ela, de repente corri até chegar à grade da minha casa, era só isso, entrar pela porta e depois nunca mais sair de lá! (In) felizmente ela pegou no meu braço, me empurrou contra as grades com seu corpo e me beijou, eu não pensei em nada, só fechei os olhos; depois de algum tempo fiquei cansado de estar com eles fechados e os abri, enquanto ela terminava de me beijar fiquei olhando o besouro na janela da cozinha, ele se movimentava de um lado pro outro, batia no vidro, caía, voava de novo para o vidro e caía de novo sem se preocupar com o quê via ali na grade. Realmente, vida de besouro é a melhor do mundo! Não precisa se preocupar com nada!



Capítulo 2 - A respeito da minha ignorância sobre besouros

Eu queria deixar bem claro que a última frase que escrevi sobre a vida dos besouros foi algo mal pensado que apenas falei enquanto estava hipnotizado pelos lindos olhos verdes de Lina (droga, arrumei outra desculpa para não assumir meu erro de ter falado aquilo)! Para sua informação os besouros sofrem muito em suas vidas! São atropelados por caminhões, mexem em estrume para sobreviver, comem uns aos outros e não tem uma mentalidade tão avançada quanto a nossa. Por isso, não maltrate um besouro! Eles são criaturas como nós que tentam sobreviver neste cruel e abatido mundo e o pior que eles sofrem muito mais que a gente! Se você matou um besouro com requintes de crueldade, você não merece ler o quê aconteceu depois do meu primeiro beijo (eu não deveria ter contado que foi o primeiro).


Capítulo 3 - O quê vem depois do beijo?

Bem você poderia me dizer o quê vem depois, pois comigo não veio nada! Ela me beijou e nós ficamos abraçados lá sem fazer nada! Pensei que ia rolar sexo, mas não veio nada, apenas ficamos abraçados, entende? Ela começou a me contar que sempre sonhara com esse momento, que ela iria achar o cara certo e tudo mais, mas acredite numa coisa; nem minha mãe achava que eu era o cara certo! Imagine você tendo um filho de 18 anos que não sabe o quê quer da vida, fica no quarto jogando videogame o dia todo, só lê o quê lhe convém (eu diria que eu tenho um gosto refinado, variando de revistas de heavy metal, mangás e de vez em quando uma playboyzinha só para quebrar todo este gelo intelectual) e ainda por cima não tem vida independente! O quê? Você acha que a minha mãe é aquele tipo de mamãe protetora que quer que seu filho saia de casa somente aos 50 anos? Cê tá louco! Eu acho que você não prestou atenção no quê eu te contei até agora, não é? Não, eu não te contarei a estória da minha mãe! Ela é uma maníaca insana e não merece estar neste livro!.


Capítulo 4 - Tudo sobre minha mãe

Como eu vim a escrever este capítulo? Ah! Não importa, qualquer dia eu me lembro! Bom, mas vamos ao que interessa, vamos contar tudo sobre minha mãe (eu já vi um nome de filme assim, vocês acreditam?).

Filha de imigrantes ingleses, Dona Acácia (minha mãe) nasceu aqui no Brasil após meu avô e minha avó terem tido uma noite maravilhosa num... Num carro! Isso mesmo, não foi numa cama ou em qualquer outro cômodo mais luxuoso, foi num carro! Quanto ao nome dela, eu não tenho ideia da onde eles tiraram este nome, mas eu sei que meus amigos ficavam brincando com o nome dela chamando-a de Dona Ak47 e outros apelidos um tanto quanto polêmicos. Vítima de uma infância traumática (não sei por quê, só achei que falando isso iria dar um toque melhor para a estória!), Dona Acácia passou por diversas provações durante sua adolescência, a primeira delas foi ficar grávida de um motorista de táxi e desse ninho de amor surgir... Eu! Ela nunca se casou e batalhou muito para cuidar de mim, quase casou aos 30 anos com um senhor dono de uma fábrica de chuveiros, ele era muito rico, mas infelizmente na lua de mel ele foi encontrado morto, pendurado em seu lindo chuveiro de ouro e cobre... Minha mãe nunca foi a mesma depois daquele dia, ela nunca mais olhou para nenhum homem e quis que eu me afastasse dela o mais rápido possível. Achava que eu era a maldição... Isso era o quê ela achava... Não o quê Lina achava!


Capítulo 5 - A razão de eu ter contado (quase) tudo sobre minha mãe

Bem, realmente eu não sei qual foi o motivo de ter começado a falar da minha mãe! Talvez eu tomei uma dose de LSD desnecessária, não! É brincadeira, eu não tomo drogas, para falar a verdade, eu sou até que um rapaz saudável! Acho que enquanto falava que não iria contar sobre minha mãe alguns aliens me abduziram e me forçaram a contar sobre ela, também pode ser que enquanto eu disse aquilo alguém me bateu e eu entrei num estado de choque duplo-personalizado(?) ou eu posso ter escorregado e batido a cabeça! Não importa! Eu dei várias explicações, todas elas são plausíveis! Então não enche o saco e vai ler o próximo capítulo! Mas antes de ir, eu vou dizer a verdade... Eu não contei tudo sobre minha mãe e nem vou contar, portanto você pode esquecer o nome do capítulo 4 e inventar outro, como: "Quase tudo sobre minha mãe" ou "A estória de minha mãe quase inteira".


Capítulo 6 - Pensamentos (quase) filosóficos sobre meu primeiro beijo

Bom, para você achar que eu sou o máximo, irei fazer um poema sobre meu primeiro beijo no qual demonstrarei que estou completamente apaixonado por Lina e... É uma besteira que se você não quiser ler pode pular! Lá vai, vou começar numa linguagem completamente apaixonada:

O primeiro beijo

O primeiro beijo nos faz humanos,
O primeiro beijo nos traz a vida.
Mas no outro segundo lá se vai a expectativa,
Ganhamos por perder e
Perdemos por ganhar.
E tudo no final acaba por acabar...

Entendeu? Não se preocupe, nem eu entendi. Apenas peguei palavras que rimavam e coloquei numa frase embutida, não é nenhum grande verso, mas fui eu que fiz! Se você não gostou, o problema é seu! Não to escrevendo pra crítico mesmo...


Capítulo 7 - O motivo de não ter escrito sobre o meu primeiro beijo filosoficamente

Você precisa de motivo pra tudo? Bem, que tal este; eu não sou filósofo e nem quero ser, filosofia é muito chato.


Capítulo 8 - Finalmente voltando ao que aconteceu depois do primeiro beijo

Aê, vou poder contar o quê aconteceu depois do beijo! Finalmente! Eu tinha parado na parte que Lina e eu estávamos abraçados na grade olhando o sol frio e seco, certo? Depois de tudo isso outra conversa rompeu o silêncio:

-De te perder. -disse Lina com um olhar carente.

-O quê? -eu perguntei mesmo tendo ouvido e assimilado que esta era a resposta daquela pergunta (e ainda fiz cara de ingênuo pra ela, fingindo que não entendi!).

-Se lembra quando você me perguntou do quê mais eu tinha medo?

-Ah! Sim.

-Eu... Tenho... Medo... De... Te... Perder. E também tenho medo de você nunca mais me amar e eu ficar sozinha mais uma vez na minha vida.

-Ah! Lina! -meu coração tinha se enchido de amor, mas não aquele amor simples que se vai após mudarem as estações, aquele amor que é ao mesmo tempo fraterno como de um pai e ciumento e doentio como o de um namorado -Não importa o quê você faça na vida, se você matar alguém eu estarei te encobrindo, sabe por quê? Por que eu te amo muito! Muito mesmo! (um tanto quanto meloso, não acha? Mas fazer o quê? É a vida, quando Lina estava comigo eu me sentia bem, me sentia com vida, não ficava deprimido! O quê? Você acha isso idiota? Bem, fazer o quê? Cala a boca e continua lendo!).


Depois de eu ter falado aquilo, ela me olhou de um jeito tão materno, então foi se aproximando mais uma vez para outro beijo, enquanto ela se aproximava eu fui fechando os olhos, fui fechando, fui fechando... Peraí??? Materno? Não! Eca! Que materno o quê? Ela se aproximava mais e mais, e eu ali; pensando no olhar materno que eu nunca tive da minha mãe! Na medida que ela se aproximava eu comecei a pensar na minha mãe, a boca dela se movendo até tocar a minha!

-Não! Pára! Pára, por favor! -foi aí que eu percebi que ela me olhava de um jeito estranho, de seu rosto começaram a sair lágrimas extremamente sutis, Deus como eu amo essa garota! Ela correu com muita raiva, sumindo. Eu até tentei correr atrás dela, mas ela era do tipo esportivo, corria que só você vendo! E eu fiquei ali mais uma vez sozinho, olhando o grande sol frio e seco, enquanto minha mãe dava risadas altas e engraçadas lá da janela da cozinha, ela tinha visto tudo! Velha safada! Por quê ela foi esquecer de morrer! Falta vergonha nessa família!


Capítulo 9 - O passado de Lina

Calma aí que eu vou ao banheiro e depois continuo escrevendo, é rapidinho...

Onde eu estava? Ah! Eu ia contar o passado de Lina e o motivo dela odiar tanto o seu nome...

Eliana Martins Ferreira (Lina), nasceu no fantástico dia 11 de julho de 1986 (pelo menos esta estória foi ela que me contou!) em uma cidade no interior de São Paulo. Aos 10 anos mudou-se para a "cidade grande" por uma proposta de trabalho oferecida ao seu pai (que hoje é dono de uma fábrica de produtos alimentícios muito famosa!). Nessa época sua mãe ainda estava viva e muito feliz por ter se mudado... Ela não...

No primeiro dia de aula quando a professora chamou seu nome pela lista de chamada, ela acabou por não responder, pois estava conversando com uma amiga que tinha acabado de conhecer, infelizmente esta professora era muito nervosa e sofria de um terrível problema no coração e...

Ah! Vê aí no meu flashback imaginário:

-Senhorita Eliana Ferreira. Eliana Ferreira! Eliana! Eliana! Cadê essa menina! -então a menina deu um leve aceno com as mãos e a professora começou a espumar de raiva.

-Você não tem ouvido? Quem pensa que é para não responder a merda desta chamada? Acha que é alguém especial? Hein? Sua fedelha imbecil? Responde!

-Não senhora, eu apenas não ouvi. -disse ela gentilmente.

-Ah! Então você é do tipo que responde aos mais velhos? Vá para a diretoria agora! -então Lina levantou e foi andando gentilmente até a diretoria, quando ela fechou a porta ao sair, ouviu-se um baque profundo no chão... A professora carrancuda tinha tido um ataque cardíaco fulminante no coração, as crianças acharam que era uma brincadeira nova e só se ouviu aquela palavra no diminutivo que toda criança gosta de pronunciar: "Montinho!". E ficou assim, Lina fora da sala por não ter pronunciado seu nome e todas as crianças alegres pulando em cima de um cadáver que já estava com os olhos virados de tanto impacto sofrido pela saudável brincadeira do montinho...


(Nota do escritor: Lina estava na quarta série ^.^)

E foi assim que ela nunca mais quis seu nome. Bem, eu acho que esta estória tem algumas partes erroneamente contadas por ela, mas a maioria é verdade... Pelo menos é o quê eu acho! Ela não me contou o quê aconteceu depois de tudo isso, mas eu também não queria saber, apenas queria segura-la nos meus braços. Ah! A mãe dela morreu também de infarto ocasionado pelo cigarro que ela fumava...


Capitulo 10 - O motivo de ter contado tudo isso

Desta vez eu preciso ir ao banheiro, pois da última vez eu não fui!

O motivo? Ah, é! O motivo! Infelizmente com meu ataque de "lisergia" sofrido enquanto minha ex tentava me beijar... Ah! Já contei! Ela é minha ex! Infelizmente no dia seguinte ela disse que tinha corrido assustada e que a última vez que correu assustada foi quando a professora tinha expulsado ela da sala! Imagina; quando ela foi expulsa da classe não quis mais seu nome, quis esquecê-lo! Agora que ela tomou um susto comigo quis me esquecer! Pensando bem, é bem justo!


Capítulo 11 - O anjo e o demônio da minha cabeça discutindo: "Justo? Você é bem corno!"

Eu dei uma de "compreensivo" e tentei esquecer Lina, quando a noite caiu, eu adormeci (Hum! Uma bela expressão! "O cair da noite", tá vendo! Quem disse que meu livro também não é cultura!). Eu tive 3 sonhos muito bizarros, apenas o último me chamou a atenção; eu tava numa mesa de bar bebendo um uísque, o comercial do uísque era; "Uísque Uinferno, é mais quente que o próprio inferno!", realmente, o comercial era uma droga! Depois de ter falado isso, duas pessoas se aproximaram de mim, a primeira que se aproximou foi uma mulher loira, vestia um vestido de decote bem baixo completamente vermelho, a segunda era uma mulher morena que vestia um vestido de decote todo branco -Só nos meus sonhos mesmo, o anjo e o diabo são uns puta mulherão!- pensei eu, e aí elas leram meu pensamento e retrucaram:

-Só na vida real que temos um cara tão corno! -eu me perguntava "Por quê elas falam isso?" e elas respondiam:

-Por quê você é!

-Ei! -eu disse já aborrecido -Esse não seria, por acaso, um daqueles sonhos clichês onde temos o anjo e o diabo lutando por me fazer optar por um lado?

-Lado? Optar por um lado? Que lado, meu filho? Você não tem um lado! Deixou Lina escorrer por suas mãos, se fosse para optar por um lado, o seu seria o lado dos cornos! -falaram as duas em coro.

-Ei, peraí! Eu exijo respeito! Pois a decisão tomada por mim e Lina foi bem justa! Vocês não têm esse direito de falar isso!

-Justo? Você é bem corno! Nós temos esse direito sim! Você é corno e acabou!

-Você, anjo! Não deveria estar me defendendo como na maioria dos sonhos de anjo e diabo, me guiando pro lado certo?

-Hein? Corno não tem lado certo! Ou vira homem ou continua corno! E mais uma coisa, eu não ajudo pessoas fracassadas! Você guiou sua vida direto pro fracasso! Imagina, uma linda garota com olhos verdes bem vivos, boca linda e bem feita, corpo magro preciso, ela é mais anjo que eu!

-É, eu não tinha pensado nisso! Eu vou voltar com ela. É isso eu vou voltar com ela!

-Hahahahahahahaha! Seu fracassado! Você não voltaria com ela nem se quisesse! Ela já deve estar com outro! Tchau! -então apareceu uma válvula (parecida com aquelas de descarga) e minha cadeira virou uma descarga gigante que me arrastou para fora do bar. Assim eu caí no esgoto cheio de bosta de cachorro com Lina me olhando e dando risada...
Eu acordei, mas as risadas continuaram ecoando pelas paredes do meu quarto. Que sonho estranho, cara!


Capítulo 12 - Reconciliação?

Após Lina ter me deixado (o quê foi muito rápido e inesperado), eu fiquei meio aborrecido e não saí da cama por dois dias. Após ter passado este tempo, fui até a casa da minha ex para pedir desculpas (não sei pelo quê, mas tudo bem), toquei a campainha e fiquei esperando, esperando, esperando, esperando...


Capítulo 13 - Esperando esperar a esperançosa esperança esperada pelas pessoas que esperam

...esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando, esperando até que... Choveu.


Capítulo 14 - A carta que nunca teve remetente

Não pensem que foi aquela chuva que aparece em todos os filmes e livros, aonde ela vem garoando até acabar sutilmente, é aquela chuva que mata rato de esgoto, afogado!

Eu esperei mais um pouco pensando que eles sentiriam pena de mim e me deixariam entrar, deixaram nada! Na época eu gostava de andar com aqueles blocos de notas e caneta, então eu escrevi um bilhete para Lina que dizia o seguinte:

Querida Lina,

Você me deixou por algo que eu não tinha feito e agora não quer voltar para mim, eu não entendo, pois aquilo que eu gritei foi uma mera obra do acaso que me fez delirar sobre algumas coisas bem tristes. Espero que você me entenda pelo que fiz e, algum dia talvez, possamos voltar ao passado...

Com muito amor e carinho,

O único cara que te ama e que faria qualquer coisa por você.

Esta seria, talvez, a última vez que eu seria visto em frente à casa de Lina...


Capítulo 15 - Doente e sozinho

Após esta separação que eu não entendi (me desculpem por ter enganado vocês, dizendo que foi justa a nossa separação) muito bem, voltei para minha casa e peguei todas as minhas roupas e dinheiro que eu vinha guardando desde 1998 (que somava mais ou menos R$2.000 reais), enquanto terminava de colocar minhas coisas numa mala minha mãe entrou no quarto:

-Aleluia! Você vai sair de casa?

-Vou! Eu tenho até que um bom dinheiro para ir embora...

-E qual é o motivo da sua saída tão repentina, posso saber?

-Eu cansei desta cidade! Tudo não se resume a nada! Você estuda uma década para depois não saber o quê quer da vida!

-Hahahahahahaha -ela tinha dado novamente aquela risada espalhafatosa, no momento eu odiei -Mas que papo de adolescente querendo ser independente!

-É pode ser! Você não liga mesmo, não é? Queria que eu fosse embora o quanto antes de casa! Acha que eu sou uma maldita aberração! Eu sou uma aberração para você! Nunca quis que eu fosse feliz! Achava que só por que você não foi, eu não devia ser! Não é! Hein? Responda! -foi então que eu percebi que ela estava chorando, depois de um tempo ela gritou:

-É ISSO MESMO! É ISSO! SEU GRANDE MOLEQUE CHORÃO! ACHA QUE EU QUIS QUE VOCÊ NASCESSE? NÃO, VOCÊ FOI O ÚNICO MOTIVO DE EU TER ARRUINADO A MINHA VIDA!

-Ah, mãe se você soubesse! Você não sabe qual foi o motivo de ter ficado aqui até os 18!

-Eu não me importo! Seu grande bastardo! -estas palavras tinham me acertado em cheio no coração, então eu disse as últimas palavras antes de bater a porta na cara dela:

-Eu fiquei estes últimos anos aqui em casa por quê eu achava que você me amava! Eu te amo, mãe, eu te amo! -ela me olhou com pena e apenas ficou calada. Eu saí da casa e olhei o terreno baldio que antes era um laguinho, chorei, fui caminhando sem rumo enquanto a chuva caía...

Tinha perdido tudo mesmo! Lina foi-se e agora... Pela estrada eu vou afora...


Capítulo 16 - Doente, sozinho e cansado

Fui apenas vagando, até chegar perto da marginal Tietê, a chuva caía sem sofrimento e sem angústia, apenas caía. Andei tanto que chegou uma hora que fiquei extremamente cansado, a alça da minha mala estourou e eu caí na lama. Enquanto estava ali, sentindo um odor fétido e grotesco, fiquei pensando se aquele era meu fim... Mas vaso ruim não quebra...


Capítulo 17 - Vaso ruim não quebra, com toda certeza!

-Ei, acorde! Acorde! -eu acordei numa maca e uma mulher aparentando ter 20 anos me atendeu, tinha olhos pretos, era magra, cabelo preto e tinha um rosto muito bonito:

-Onde estou?

-Está no hospital, por sorte uma ambulância te encontrou perto de Guarulhos!

-Estou em... Guarulhos?

-Sim, seu dinheiro está no seu bolso, eles apenas te resgataram pelo dinheiro, ou você acha que existem pessoas boazinhas?

-Não, eu não acredito mais nisso... -então eu adormeci mais uma vez... Quando acordei estava numa enfermaria, deitado e meio tonto, um médico entrou:

-Bom dia, senhor? -quis ele saber meu nome

-Lucas!

-Sim! Bem, você por sorte foi acolhido por nossa ambulância, mas nós não achamos nenhum parente seu? O senhor está sozinho?

-Sim eu viajei sozinho. -então a mesma mulher entrou:

-Esta é a enfermeira Joana, ela que pôs você na maca.

-Olá, qual é o seu nome? -disse ela gentilmente.

-Lucas. Lucas Borges.

-Muito prazer, senhor Lucas! -disse ela elegantemente.

-O prazer é todo meu! -depois de alguns dias eu fui conversando mais e mais com Joana, e descobri que ela não era casada, não tinha filhos, morava num apartamento onde sua amiga tinha saído e agora ela não tinha quem ajuda-la a pagar as contas, ela perguntou se eu tinha onde ficar, eu respondi que não. Depois que eu recebi alta lá do médico, Joana tinha tirado um dia de folga, eu fui até o apartamento dela e ela me recebeu, a partir dali começamos uma amizade...


Capítulo 18 - Um lugar pra ficar, seria eu um cara de sorte?

Naquele mesmo dia Joana perguntou se eu não queria morar com ela (é claro que ela ficou meio envergonhada em perguntar isso e eu fiquei envergonhado ao responder!) e eu respondi que...

Sim! Eu efetuei o primeiro pagamento do aluguel (pouco mais que R$200 reais) e o restante você sabe a seguir.


Capítulo 19 - Um emprego que me traz calma

Tem gente que reclama de emprego em Guarulhos, mas eu não achei nenhuma dificuldade! Trabalhei como escrivão num distrito policial, ganhava pouco mais que 300 reais, era suficiente para pagar uma parte do aluguel e morar com Joana me trazia alegria (embora eu não parasse de pensar em Lina), todo dia era uma nova coisa a escrever, por exemplo, você nunca saberia como uma mulher matou seu marido usando apenas uma faca que corta bolo! O emprego me acalmava, pois onde eu escrevia tinha uma janela onde batia o sol e como meu trabalho era quando a tarde caía, eu podia ver uma das melhores obras de Deus; o sol a se pôr! Não, eu não sou um cara religioso, apenas usei isso para descrever que é algo bom, entendeu? E mais, quando o turno de Joana acabava lá no hospital, ela vinha me buscar, sempre batendo na janela, ela entrava no distrito e os policiais tudo me zoando, só por quê ela me puxava para ir embora... Realmente, aqueles anos foram melhores que os anos do laguinho!


Capítulo 20 - Uma confissão que há muito não se via

Certo dia, enquanto íamos embora (e já começava a escurecer), percebi que Joana estava louca para chegar em casa, então ela puxou conversa enquanto andávamos:

-Ei, Lucas, você me vê como uma mulher? -eu comecei a rir para não ficar vermelho, me fiz de desentendido:

-O quê?

-É, eu só queria saber se você me vê como uma mulher, ou apenas como uma amiga? -disse ela com seu jeito de criança.

-Por quê a pergunta? -ela então se aproximou, me empurrou contra a parede e me beijou, desta vez não fiquei a olhar besouros, baratas ou formigas, apenas a beijei. Chegando em casa eu perdi minha virgindade, poderia até falar como foi, mas não. Eu prefiro que você fique a imaginar, como é quando duas pessoas se amam. É algo concreto, é algo além de uma simples existência arrasada por drogas, depressão e fuga da realidade.


Capítulo 21 - O porquê de minha existência (ou apenas para que vivo)

Antigamente eu vivia para os estudos, quando comecei a chegar perto de sair do colégio não tinha nada mais a fazer (lembra-se do quê disse?), antes do colégio vivia para meus amigos e para minha mãe, brincadeiras no laguinho eram quase todos os dias. Quando completei 18, eu já tinha saído do colégio e comecei a me fechar num mundo imaginário de sonhos "rock n' roll", expectativas altas na adolescência, amigos que prezavam a lealdade e dependência da responsabilidade. Foi quando eu conheci Lina e aí comecei a achar que estava apaixonado, mas não passou de pura baboseira sentimental e adolescente. O mundo é agora leitor! Eu, após quase morrer na Dutra, fui salvo por uma ambulância que queria apenas me tratar e depois cobrar uma grana alta.

O mundo muda a cada passo que você dá para voltar para casa, a cada minuto que você gasta ouvindo música ou jogando videogame, a cada segundo que você usa para piscar. Tudo se envolve num bolo de sentimentos inexplicáveis que você vive e acaba por esquecer... Você me pergunta por quê eu comecei a falar disso, não é? Não, eu não bolarei outro capítulo para explicar o motivo deste, nem tudo precisa ter motivo na vida... Nem tudo...


Capítulo 22 - Nem sempre há motivo para o quê se acontece

A minha vida foi ficando perfeita, eu e Joana fazíamos planos para o futuro; queríamos ter uma casa, um cachorro (tínhamos até um nome para ele!) e até pensávamos em ter um filho! Mas por enquanto, eu e ela falávamos, vamos continuar vivendo! Eu então a beijava e ela colocava o uniforme de enfermeira, fingia que saía para o trabalho, mas depois voltava correndo e me dava um beijo! Depois de tanta brincadeira, enfim ia pro trabalho...

Eu ficava vendo televisão (sem nenhum motivo aparente, odiava tv!), depois quando dava 12:00 horas eu saía, trancava tudo e ia pro trabalho. A caminho do trabalho notei numa igreja (o nome não sei, só sei que fica perto de uma praça) um cartaz colado e nele mostrava uma cara assustadora de um homem (aquelas feitas em computador), mais um assassino estava por aí fazendo a festa e a polícia não fazia nada, era incrível! Eu não me importei, pois mais cedo ou mais tarde a polícia pegava e descia a porrada no desgraçado! Logo, segui para o trabalho, fazia um calor lá fora, mas no distrito tinha ventilador.

-Mais um dia de trabalho feito! Cadê a Joana? Vai ver ela precisa fazer hora extra! Então, eu vou me indo, tchau gente!

-Tchau, Lucas! -diziam vários policias em coro. Voltei para casa, tomei banho e então esperei, esperei, esperei...


Capítulo 23 - Esperando que nada tivesse acontecido

Então eu me lembrei do assassino que estava solto e atacava mulheres jovens! Comecei a ficar preocupado, apenas pensando nas piores coisas já imagináveis, o telefone então toca...


Capítulo 24 - O telefone que cria esperanças

-Oi meu amor! Olha, eu vou ter que ficar aqui até amanhã e não vou poder passar aí em casa, tá bom?

-Tá apenas tenha cuidado quando vier para casa, tem um assassino a solta!

-Eu ouvi falar! E ele ataca só mulheres bonitas não precisa se preocupar comigo.

-Não brinca Joana. É sério! Venha acompanhada ou pegue um táxi!

-Tá bom! Eu tenho que ir, te amo muito!

-Tchau, também tenho que ir! Te amo! -então eu coloquei o telefone no gancho e dormi...


Capítulo 25 - Horas extras e mais horas extras...

Chegando no trabalho meu chefe disse que eu teria que ficar até tarde arquivando casos novos que apareceram e já foram solucionados, inclusive o do assassino que já tinha sido capturado. Eu pensei comigo - "Graças a Deus!" -e então fiquei até tarde (até as 23 horas) trabalhando, quando estava saindo, meu chefe me chamou:

-Ei! Lucas, falta o do assassino em série para terminar! Você precisa fazer este! -eu então peguei um folha e fui escrevendo...


Capítulo 26 - O atestado

Eu tinha um único problema, não sabia o quê estava escrevendo até ler depois de digitar, então eu fui começando:

José Gimério da Conceição, nascido no dia 23 de setembro de 1964, foi morto após cinco tiros de bala calibre 38 terem atingido suas costas. Ele foi pego enquanto tentava estuprar uma jovem. Infelizmente uma das cinco balas acertou em cheio o pescoço da vítima, que viria a morrer segundo depois. "A vítima era enfermeira e voltava do trabalho após fazer hora extra" -declara o médico do hospital. Joana Nóbrega de Souza tinha apenas 23 anos de idade.

-Pronto Senhor, eu vou ler para ver se não ficou com nenhum erro de português e já vou embora, minha namorada já deve estar preocupada...


Capítulo 27 - Palavras duras de serem lidas

-Nãoooooooo! Nãoooooooo! É impossível! Seus desgraçados! - eu comecei a gritar e o chefe me perguntou por quê eu tinha começado a gritar, eu lhe respondi e ele ficou calado e apenas me abraçou...


Capítulo 28 - E o quê vem depois?

Gostaria que você me dissesse! Após ter ganhado muito em poucas semanas, perdi tudo em dias. Não fui ao enterro de Joana, não fui ver o corpo dela, parei de trabalhar e fiquei vagando novamente. Dizem que ninguém foi ao enterro, dizem também que ela era órfã, eu não acredito em nada disso, pois me falaram que o psicopata tinha sido preso! Ele foi preso morto, mas também me tirou a vida!


Capítulo 29 - Sozinho, cansado (de viver), faminto, sem vida e vagabundeando pelo mundo

Eu sabia que ninguém gostava de mim, sabia que todos me abandonariam, nunca mais vi minha mãe, Lina agora era corretora de imóveis (mas não era casada), Joana era um corpo sem alma (assim como eu). Depois comecei a ficar sem comer, nem falava mais, não cuidava da higiene pessoal e num lindo dia eu comecei a ter delírios...


Capítulo 30 - Delírios pessoais

Joana entrou pela casa alegre e cheia de paixão, ela pediu para segui-la, eu fui, afinal, o quê eu tinha a perder? Ela me levou até o rio Tietê, o cheiro não era tão bom, mas e daí? Eu não ligo, só queria estar com ela! Quando me aproximei do rio avistei minha mãe fazendo um churrasco perto do laguinho na nossa casa, lá estava a Joana jogando água em Lina, ela pediu para eu entrar com elas, e é claro que eu aceitei! Afinal, minhas amadas estavam lá! Foi um dia ótimo...


Capítulo 31 - Um corpo no Tietê

Hoje foi achado um corpo no Tietê, tudo leva a crer que ele estava bêbado e tentou se matar... É triste como estas pessoas acabam com suas vidas apenas pela bebida! Tem tanta gente querendo viver e um sujeito vai lá e destrói sua vida! É muito triste...


Capítulo 32 - Palavras antes de ir embora?

Antes de ir embora queria dizer que não queria que tudo tivesse terminado assim, poderia ter arrombado a casa de Lina para ela me querer de volta, mas não tive coragem, dez anos se passaram desde quando saí de casa, minha mãe já deve estar morta, se não estiver espero que ela venha para o meu lado. Ah! Joana está aqui, não é a mesma coisa, é claro! Mas nós nos divertimos bastante! Eu antes de ir (tá no capítulo) queria falar pra você calcular a sua vida, eu, não tive tempo! Sinto muito se fui duro em alguma parte da escrita, mas, é a vida ou talvez a morte! Não queria que tivesse sido assim... Minha vida não foi atormentada, mas teve seus altos e baixos! Eu espero que todas as pessoas que me amaram venham continuar me amando aqui. Morte prematura? Eu não chamaria assim, nunca bebi, nem usei drogas para morrer rápido, eu vivi a vida até não dar mais apenas isso. Eu... Espero... Que... Você... Se... Cuide... Só isso!


Epílogo - Uma carta entregue e a cidade mentirosa

Lina acordou com o sol seco e frio batendo no seu olho esquerdo, hoje estava disposta a saber por onde Lucas andava, soube através de um médico (muito amigo seu) que ele tinha se mudado para Guarulhos, ela foi até lá, e soube onde ele morava; era um apartamento pequeno, mas bem cuidado, então ela tocou a campainha e um senhor velho atendeu:

-Bom dia, eu procuro por Lucas Borges, o senhor conhece?

-Ele morreu senhora! Não ficou sabendo? Um psicopata matou a mulher dele e ele se afogou no Tietê por causa da bebida! Eu moro aqui apenas pelo preço.

-Muito obrigada! -ela saiu correndo chorando e deixou cair um bilhete, o velho pegou o bilhete, leu, achou uma bobagem e jogou no lixo. O bilhete apenas continha algumas palavras, que diziam:

"Sim, Lucas, eu entendo sua situação e por isso eu te amo! Nunca mais quero me separar de você!"

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