A Garganta da Serpente
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A Situação (Segundo Problema: Lina)

(Victor Menegatti)

Nota do escritor - O significado do segundo problema

Oi! Eu sou o escritor do primeiro conto "A situação", caso você não tenha lido o primeiro conto é aconselhável lê-lo! A principal função de ter criado esta nota de escrita é para avisar que esta é uma continuação do outro "livro" e que algumas coisas não foram explicadas, por isso estou aqui agora para explicá-las! Espero que você goste do quê eu preparei para você! O primeiro capítulo retoma o quê aconteceu depois de tudo...


Segundo Prólogo - O início do fim (pelo menos era o quê se pensava)

Olá, eu me chamo Lucas Borges, perdi tudo em apenas alguns anos e não pertenço a mais nenhum tipo de sistema ou corporação que deseja engolir tudo que vê pela frente... Eu espero que o Brasil não esteja deste jeito, mas se estiver, eu não me importo! Já sofri muito por isso e já paguei por tudo que eu não fiz... Até queria que fosse o início do fim! Imagina, aquele amontoado de pessoas correndo enquanto o mundo se derrete em larva, seria demais! Mas que seja... Eu ainda digo que demorei pra começar a pensar... Tudo se acaba por nada e mais uma vez eu digo que não tive uma morte prematura, apenas vivi para ver acontecer. Você deve estar se perguntando; Acontecer o quê? E eu digo, acontecer tudo que aconteceu; a vida, a morte, as risadas, o choro, a desunião e o progresso de uma vida, esta vida... Foi a minha, então que seja assim, viva a vida e não se preocupe com a morte, ela está conosco e é nossa única certeza. Eu sei que não falei nada do quê você já não soubesse, mas é necessário que tudo se repita sempre até que os humanos restantes aprendam a viver, pois viver é isso... (Estas reticências não indicam que eu voltarei para falar de outras coisas, já estou exausto de tanto falar por nada).


Capítulo 33 - A procura da vida
Lina saíra correndo apressada daquele prédio e foi em direção a um ponto de ônibus. Não sabia qual era seu propósito, apenas achava que estava correndo de seus medos e fraquezas. Depois de algum tempo passado, esperando o ônibus, avistou um carro; era completamente preto e tinha um desenho estranho em sua lateral que tinha os seguintes dizeres: "Nóis é médico tudo cum formação na UiSP", com certeza era apenas uma pessoa...


Capítulo 34 - O dia da tempestade

E ele ficou ali esperando, eu vi e apenas fiquei vendo... Depois de um tempo começou a chover e como eu não queria me molhar (quem eu estou querendo enganar? Eu estava brava com Lucas! Ele mesmo disse para me afastar e agora queria perdão! Não mesmo!) não saí, afinal, quem havia cometido o erro tinha sido ele e não eu! Eu merecia deixá-lo no chinelo! Homens são feitos para isso! Falam que não precisam da gente, mas quando estão apaixonados! Fazem qualquer coisa! Parecem cachorrinhos alegres por obedecerem ao dono! Meu pai, que estava trabalhando, não aguentou e tirou o som da campainha! E eu fiquei ali, vendo-o pela janela, depois de algum tempo ele acabou cedendo, escreveu uma cartinha e foi embora, pois a chuva estava muito forte...

É claro que eu chorei, afinal, meu ex tinha acabado de bater na porta, encarando uma tempestade e eu ali, apenas observando pela janela! O quê? Pedir desculpas a ele? Não, claro que não! Não tinha sido eu que errei! Você deve achar que eu sou um tipo de garota submissa ao namorado, não é? Claro que não!


Após a tempestade ter passado, desci as escadas correndo (quase trombei com meu pai), abri a porta e notei que um bilhete estava sutilmente posto na varanda do meu quintal. O bilhete estava encharcado pela chuva e a tinta tinha ficado borrada, chorei por não poder entender o quê estava escrito, tentei mais uma vez ler, mas foi em vão. É uma pena que somente palavras poderiam salvar nosso namoro...

Mas não pense que eu fui atrás dele! Aposto que o bilhete falava que ele queria me deixar, deixar por uma outra qualquer! Isso era inaceitável! Então eu fui até a casa dele e me deparei com a mãe dele:

- O quê você quer? -respondeu a mãe dele friamente (deu para perceber que ela tinha acabado de chorar).

- Onde está Lucas? -procurei falar calmamente e aparentar que estava contente com a separação.

- Ele se foi... -disse ela, que após um momento ficou perdida entre seus pensamentos.

- O quê aconteceu aqui? -eu perguntei só que desta vez um pouco mais séria, afinal, haviam coisas espalhadas pelo chão e parecia que eles tinham brigado. Ela então deu um sorriso amargo e começou a agir estranhamente comigo:

- Ora, ora, o quê aconteceu entre você e Lucas? Ele te deixou? -disse ela num tom maternal.

- Sim, eu acho que ele me deixou um bilhete, mas infelizmente ele foi tomado pela chuva!

- Lucas ou o bilhete?

- Ambos...

- Ora, ora, ele foi embora, eu não posso fazer mais nada... Ele nos deixou!

- Ele disse algo para senhora, algo sobre ir embora? Ou talvez que me amava? Ele disse?

- Não me lembro, ele me bateu na cabeça tão forte que eu...

- Ele bateu na senhora?! Que safado!

- Ah! Agora eu me lembro! Depois dele me bater falou algo sobre separação, disse que num bilhete que escreveu ou algo do tipo, não sei bem, disse que iria te deixar, que não queria mais você, que tinha encontrado a mulher ideal.

- Ele realmente disse isso? -eu tentei me conter mas o choro veio logo em seguida.

- Com todas as palavras. -eu não aguentei e desabei em choro, Dona Acácia me abraçou e em seguida me disse no ouvido, tentando me consolar:

- Oh! Não chore criança, você sabe como os homens são, num dia te amam e no outro te trocam por uma viciada em cabeleireiro! -eu tentei me recobrar, a mãe de Lucas era realmente uma mulher muito boa, o filho bateu nela e ela teve tempo para me consolar! Que mulher! Então eu me levantei:

- Obrigada Dona Acácia, eu já me recobrei!

- A qualquer hora, pode me ligar querida! Tchau! -eu então saí pela porta da cozinha, ela fechou a porta e voltou a assistir sua novela, como eu sei? Dava para ouvir o barulho dos tapas e arranhões! Com ou sem arranhão e tapas, uma coisa era certa; eu odiava Lucas! Parei diante da "grade" que separava a casa de Lucas do laguinho seco, e fiquei ali a ver o sol se pondo enquanto alumiava uma boa parte da água que estava dentro da cratera que antes tinha um lindo lago...



Capítulo 35 - Amizades (e possíveis namoros) que vem depois da tempestade

Depois de algum tempo fiquei em meu quarto tentando saber o quê eu tinha de errado. Meus amigos não me achavam feia, quando eu passava pela rua carros buzinavam para mim. Não, não era eu que tinha algo de errado, era Lucas que era um grande idiota e era louco da cabeça, imagina, bater na própria mãe! E tinha mais uma coisa, ele me deixou por outra, ainda bem que nem li o bilhete, Deus sabe o quê tinha nele!

Numa segunda à tarde resolvi sair de minha cama e ir passear, fazia tempo que meu amigos tinham me esquecido, na verdade, eu acho que eles nunca foram meus amigos, eram só de Lucas. Sim! Isso mesmo, era ele que unia todo mundo, mesmo não tendo muitos amigos, sempre foi uma pessoa carismática! Eu acho que ele devia tá se metendo com drogas e aí, foi a gota d'água... Não, não, agora estou pensando demais nele... Voltando ao assunto, eu saí de casa para ver meus antigos amigos... Você acha que tinha sobrado algum?


Capítulo 36 - Batendo de porta em porta

Ding Dong... Então atendeu um senhor alto e com uma cara carrancuda:

- O quê cê quer? -disse ele ferozmente.

- O Juca está?

- Ele não pode falar agora...

- E por quê não? -respondi, encarando-o.

- Porque ele viajou para a Itália, está cursando direito, não ficou sabendo?

- O quê?

- Ele ganhou uma bolsa de estudos, hehehe, como eu gosto do meu filho... Quero dizer, eh, se você não tá interessada em mais nada pode ir embora! - então ele bateu a porta na minha cara!

- Filha da puta! - xinguei Juca baixinho, então o "Doutor Carrancudo" abriu a porta com fogo no olhar:

- O quê!!!

- Não, não é o senhor, é o seu filho, quer dizer, ah...

- Você não tem educação? Hein?



Capítulo 37 - Interrompemos o livro para mostrarmos uma hora de sermão

- Hein? Responda mocinha! Você não respeita os mais velhos? Acha que eu to aqui pra quê? Hein? Para ser xingado por uma fedelha como você?! Acha que você vai mudar o mundo com esse palavreado?! Ah! Agora o quê aconteceu?! O gato comeu a sua língua? Agora fica toda muda e calada, né? Não vivi estes cinquenta anos para presenciar essa juventude me chutando com palavras obscenas!!!

- Cinquenta? Puxa o senhor parece ser bem mais jovem (^.^)!

- Ah! Quer dizer que eu tenho cara de alguém pouco experiente, é isso?

- Não... É que...

- Ora, saia daqui antes que eu te bata com uma cinta! -disse ele, quase espumando, eu, enquanto dava meia volta, falei baixinho outra palavra:

- É, quero ver se homem pra bater em homem, em mulher ele mostra que bate... Quero ver em homem!

- O quê você disse! - "Droga! Ele tinha ouvido! Para um velho ele até que ouvia bem!"



Capítulo 38 - Retornando a bater de porta em porta...

Eu corri para aquele velho não me pegar e fui até a casa de Silvana, uma menina riquinha, mas que era muito legal, para dizer a verdade, ela era minha melhor amiga!

- Com licença, Silvana está? -eu falei num tom educado, é claro que eu não queria cair em outra uma hora de sermão com o padre "Severino de Deus", ou algo do tipo. Uma mulher atendeu, parecia ser a mãe dela...

- Silvana... -no momento que ela falou este nome seus olhos começaram a se encher de lágrimas, eu pensei na pior das hipóteses... E estava certa...



Capítulo 39 - Uma visita à amiga morta e a caixa de marfim

-Você não quer entrar?

- Claro.
-a casa de Silvana era linda, tinha as paredes pintadas com uma tinta salmão, as janelas tinham cortinas vinho que pareciam combinar perfeitamente com as paredes, realmente, era um lugar confortável! A mãe de Silvana disse para eu acompanha-la... Subi escadas que pareciam não acabar nunca e no final um quarto fechado dava um ar de casa mal assombrada ao andar de cima. Enquanto a mãe dela tentava abrir a porta arrisquei perguntar algo, aquele silêncio estava me matando:

- A senhora poderia me falar o quê aconteceu com Silvana?

- Ela morreu no ano passado...

- Como? -tentei falar num ritmo pouco acelerado para ver se eu conseguia retirar informações daquela moça que estava tentando abrir a porta (mas na verdade meu coração parecia que ia explodir em mágoa e rancor, Lucas desgraçado! Se eu não tivesse namorado ele, talvez eu pudesse salvar Silvana de seu destino fatal!).

- Como? Qual o motivo de querer saber? -disse a senhora quase explodindo em choro, dava para perceber, pois ela parou de tentar abrir a porta e ficou apertando a chave.

- Eu apenas quero saber...

- Por quê? Você vai traze-la de volta? Acho que não!

- Desculpa... Eu não queria deixa-la triste... -eu também comecei a chorar.

- Um caminhão...

- Ela foi atropelada?!

- Quando estava saindo para estudar, ela tinha acabado de passar na USP! Medicina! Ela só não gostava de poluir o ar, por isso foi de bicicleta... Queria apenas... Salvar o mundo! Mas não! Um caminhão a atropelou! Que ironia! Ela só não queria poluir o ar e aí vem um caminhão e... Nem sei o quê dizer... -ela então caiu em choro, eu a abracei (também chorando) e tentei falar alguma coisa, mas nada saía! Na hora de xingar Lucas era tão fácil, mas agora... Não vinha nada! Ela parou de chorar um momento e então fez uma pergunta:

- Você que é a Lina, não é?

- Sim! Eu e sua filha éramos melhores amigas, fazíamos tudo juntas... Mas aí eu comecei a namorar e... Desculpa, eu não deveria ter feito isso, homens safados!

- Não, era pra ser assim! Deus sempre nos leva sem motivo aparente... - ela limpou as suas lágrimas e as minhas com um lenço muito fino, parecia ser de seda e no final abriu a porta:

- Eu tenho algo que Silvana queria te dar. - ela foi caminhando pelo quarto de Silvana; pôsteres de animes (desenhos japoneses) enfeitavam as paredes de seu quarto pintadas de rosa, mas não um rosa choque, rosa "Bebê", uma perda inaceitável, por quê tinha que ser ela! Enquanto eu ficava olhando as paredes, a mãe de Silvana veio em minha direção e me deu uma caixa toda feita de marfim com detalhes feitos em ouro, também me deu uma chave que continha palavras; "Apenas Lina pode abrir!", ela então se retirou sutilmente, tentei chamá-la, mas não deu em nada.

A chave era muito bonita, tão bonita que eu fiquei ali, a olha-la sem nem ligar para a caixa de marfim que estava no meu colo. Saindo do transe provocado pela chave, resolvi dar uma olhada melhor na caixa; era uma caixa simples (marfim custa caro, então não é tão simples assim) com letras parecidas com aquelas que são usadas em convite de casamento, coloquei a chave na fechadura e girei levemente, a tampa da caixa fez um barulho muito estranho (como aquele de tampa que não é aberta já faz um bom tempo)...

O quê eu vi ali não foi nada de estupendo ou interessante, era apenas o diário de Silvana com fotos.Uma me chamou a atenção; era minha mãe e ao fundo podia se ver o laguinho que se situava atrás da casa do Lucas, e adivinha quem eu vejo na foto? Lucas, Silvana, Juca, eu, Sílvio e Juliana! Todos ali se divertindo! Procurei ver se tinha algo escrito no diário referente a foto e achei uma nota de rodapé:

"Eu, Lina, Lucas, Juca, Sílvio e Juliana brincando no laguinho. Eu espero que nós nunca nos separemos, amo muito todos eles e algum dia vamos nos casar todos juntos! Agora eu tenho 14 anos e nunca me senti tão feliz em toda minha vida! Eu e Lina nos falamos todo dia e eu gosto muito dela... Eu não acho que é como amiga... Tem algo em mim dizendo que ela é minha primeira paixão, não me importo se todo mundo achar errado isso, apenas espero que ela não ache isso errado..."
-Eu não acredito, minha melhor amiga me amava e não teve a oportunidade de dizer? Não é possível! -eu então li mais um pouco do diário dela, mas desta vez no dia 25 de abril de 2005, este foi o dia que contei para ela sobre o meu namoro com Lucas:

"É uma pena Lina estar com Lucas, eu sinto que estou perdendo-a a cada momento, a cada dia, a cada conversa por telefone... Eu sei que cedo ou tarde eu irei perde-la, mas enquanto estiver comigo, farei com que ela fique a vontade, afinal, melhor amiga é para isso! Eu continuo gostando mais e mais dela, mas tudo bem, não é sempre que se pode ganhar..."

Eu então não consegui aguentar e chorei, chorei muito... Desci com a caixinha de marfim, a mãe de Silvana estava lá embaixo bebendo chá e comendo biscoitos:

- Já vai? -perguntou com um ar triste.

- Sim, eu tenho que procurar outros amigos, foi muito bom ter falado com você... - ela me olhou com uma cara séria, e eu tentei me corrigir.

- Quero dizer, com a senhora! -ela sorriu, me deu um abraço, beijou-me na testa e disse as últimas palavras:

- Lina, você é uma garota muito forte sentimentalmente, mas lembre-se de olhar fundo no seu coração, não seja tão orgulhosa, pois o orgulho mata! Pode ir com esta caixa de marfim e a chave... Vá antes que eu comece a chorar novamente...

- Senhora, qual é seu nome?

- Lúcia.

- Dona Lúcia, muito obrigada por ter me mostrado isso, eu visitarei a senhora no futuro! -é uma pena que palavras não cumpram promessas...


Capítulo 40 - Juliana, vagabunda?

Estava de novo fora de casa e também estava determinada a seguir uma carreira, ter vida própria! Cansei de chorar na frente de todo mundo! Cansei! Continuei seguindo para casa de Juliana. Chegando lá bati palmas para alguém atender (Juliana era uma garota pobre, muito gentil e carente! E o quê ela não tinha de riqueza no dinheiro, tinha na beleza! Era muito bonita!), atendeu o pai dela, um senhor de modos rudes e cara grosseira:

- Juliana está?

- Ela não pode atendê você naum!

- Por quê não?

- Tá trabalhando...

- Ah! No quê? -eu fiquei realmente alegre, Juliana ganhando a vida, estava vivendo! Trabalhando! A resposta que ele deu não foi nada empolgante...

- Tem certeza que cê quer saber? Hehehehe!

- Eh! Sim?!

- Tá dando! Té mais! -ele então bateu a porta na minha cara, poderia ser brincadeira dele, afinal, como o próprio pai dela deixava-a se sujeitar a isso? Não! Não era possível! Infelizmente eu não pude falar com ela, seria tarde demais, quero dizer, onde estava a juventude? Não era possível que nossa "galera", que um dia brincava sossegada no laguinho, agora estava assim! Não podia ser! Uma lágrima começou a rolar da minha face... Esta que seria muitas vezes ofendida...


Capítulo 41 - Última parada; casa de Sílvio

Eu continuei seguindo até chegar na casa de Sílvio, que era o cara mais legal da turminha:

- Oi, posso falar com Sílvio? -a mãe dele falou pelo interfone.

- Quem gostaria?

- É a Lina...

- Ah! Oi Lina, há quanto tempo! Calma que eu vou abrir o portão! - então depois de alguns segundo o portão se abriu e a mãe de Sílvio me abraçou.

- Como vai seu pai?

- Muito bem! -eu e Sílvio éramos conhecidos desde quando meu pai tinha se mudado para São Paulo, Sílvio era o único que tinha os dois pais ainda vivos.

- Como vai o Sr. Moraes?

- Muito bem, ele está dando aula de medicina agora e Sílvio daqui a pouco chega em casa, ele passou na USP, segundo lugar em medicina!

- Que surpresa! Ele nunca foi bom aluno!

- É, finalmente ele resolveu estudar! E você o quê está cursando, como anda o Lucas?

- Eu? Não escolhi nenhuma faculdade ainda, mas acho que farei Contabilidade, e quanto ao Lucas, bem, nós terminamos e ele viajou. -qual era o motivo de estar encobrindo Lucas? Eu mesmo não sabia. Vai ver ainda gostava dele, não! Não era possível eu gostar dele, um cara que bate na mãe não merece respeito!

- É uma pena, quer beber alguma coisa?

- Eh? Não. Você sabe quando Sílvio chegará? -e então a porta se abre e um homem grande e bonito aparece...


Capítulo 42 - Lucas? Quem precisa dele?

-Lina? É você? -disse ele num tom alegre.

- É, sou eu, como você está... -mas enquanto eu terminava de falar ele já veio me abraçando, dando uma risada gostosa.

- Meu Deus, você tá linda! -e então ficou me encarando, eu fiquei meio sem jeito, mas depois a mãe dele quebrou o gelo.

- Vão, crianças, vão conversar!

- Tá bom! Tchau mãe! -nós então fomos até o jardim da casa (que mais me parecia um casarão), sentamos numa árvore bem próxima da varanda. Ficamos num silêncio gostoso (dava pra ouvir os pássaros), que mais tarde seria furado por ele:

- Hein? Me conta tudo! Está em alguma faculdade? E Lucas, tá tudo bem com ele? E seu pai? Vamos me conte! -dava pra perceber o sorriso estampado visualmente em seu rosto.

- Bem, eu não estou cursando nenhuma faculdade, mas logo começarei Contabilidade, os resultados chegaram e eu passei, não quis avisar sua mãe, senão ela iria fazer o maior furor por causa de nada!

- Hehehe! É, minha mãe é meio fofoqueira! E Lucas?

- Eh... Nós terminamos.

- Ah! Me desculpe, eu não deveria ter perguntado...

- Não, tudo bem, eu passei a odiá-lo, depois de tudo!

- Você quer me contar o quê aconteceu?

- Sim, na verdade quero! Ele é um idiota, ele me abandonou por outra!

- Calma, ei, calma! Como você pode ter tanta certeza?

- Por quê a mãe dele me disse!

- Ah! Você sabe que a relação de Lucas e Acácia nunca foi das melhores, vai, você sabe disso!

- É, eu sei, mas eu também sei que mãe é mãe, ela não inventaria isso só para magoar o filho!

- É, eu tenho algo para te perguntar.

- Pergunta!

- Se você pudesse voltar com Lucas, o quê você escreveria para ele?

- Nada! Ele é um idiota!

- Não, é sério!

- Tá, eu escreveria que eu o amo muito e nunca magoaria ele, também escreveria que eu entendo pelo que ele está passando, pois nós dois somos um quando estamos juntos!

- Nossa! Você pensa bem rápido!

- Não! É que eu estava planejando escrever para ele uma carta de resposta...

- Carta de resposta? Você tem muita coisa para me contar!

- É eu sei... -e ficamos ali, eu contei para ele tudo que eu tinha visto até agora, contei o quê aconteceu com nossos amigos (nessa parte ele chorou!), contei do dia do beijo rejeitado por Lucas e contei no final sobre este bilhete. Ele entendeu tudo e ficou ali, satisfeito por ter me encontrado novamente e me abraçou...

E tudo começou novamente...


Capítulo 43 - Porto Seguro, viagem aceitável?

Ficamos ali até o sol se pôr, um carro (parecido com um jipe) tinha chegado, era o pai de Sílvio. Fomos até a casa para cumprimenta-lo, ele sorriu e disse:
-Há quanto tempo Lina! E o seu pai?

- Anda muito bem!

- Já está estudando?

- Vou começar contabilidade!

- Sério! Quando?

- No próximo semestre.

- Então você poderá viajar com a gente no mês que vem?

- Pra onde vocês vão?

- Pra Porto Seguro, "pega" umas mina na praia!

- Pai, você me deixa sem jeito! -disse Sílvio, e então risadas ecoaram pela sala. É! Fazia tempo que eu não me divertia! Talvez essa viagem me fizesse bem!

- Chame também seu pai, ele vai gostar muito!

- Ele não vai poder ir, está testando um novo produto.

- E você?

- Bem, sim! -então Sílvio deu um grito alto e repentino, todos riram dele, que ficou rubro! Era isso! Era tempo de me divertir! Sair, afinal, eu não era como a mãe de Lucas...


Capítulo 44 - Eu tenho algo para te contar...

Eu me despedi de Sílvio e de sua família. Fui andando pela luz do luar, até chegar perto da casa de Lucas, pensei em passar por lá e dar um oi para mãe dele, coitada! Tinha sofrido tanto! Mas não, mudei de ideia e também de curso, indo direto para casa...


Qual o significado desta linha de separação bem aqui?

Eu tenho algo para contar... A mãe de Lucas está...

- Alô?

- Alô? Bom dia, Eliana está? -eu tinha atendido e fiquei com a maior raiva do mundo de terem me chamado de novo assim!

- Sim, sou eu. Quem fala?

- Deixe-me falar com ela pai! -uma voz familiar veio do fundo.

- Está bem, fale! -eles estavam com uma voz muito cansada.

- Se lembra da semana passada, quando você veio aqui em casa?

- Sim?! O quê houve Sílvio?

- Bem, vamos direto ao assunto, eu não sei como dizer isso...

- É referente a quem?

- À mãe de Lucas, a Lucas e a você!

- O quê houve?

- Eu tenho algo para te contar!

- Que foi Sílvio, você tá me deixando preocupada!

- Dona Acácia está morta...

- O quê? -então eu não me contive e desmaiei...



Capítulo 45 - Uma carta?

Acordei com meu pai na minha frente e a família inteira de Sílvio, inclusive ele:

- Acorde Lina, acorde... -disse Sílvio calmamente.

- Como... Como ela morreu? -era incrível, eu sempre queria saber como as pessoas tinham morrido!

- Overdose de cocaína, ingeriu também muito álcool! Foi tudo que matou ela! -ele então chorou.

- Onde está Lucas? -eu perguntei precipitadamente.

- Ninguém sabe... Dona Acácia deixou um bilhete, então os legistas suspeitam que foi suicídio.

- Onde está a carta?

- Está aqui, só você pode ler! -eu então peguei a carta e corri pro banheiro (eu não sei o motivo de ter corrido pro banheiro, apenas corri). Abri lentamente a carta e comecei a ler:

E lá vou eu de novo! (se você não for a Lina, não leia, caia fora!).

Oi Lina, que merda de vida, hein? Hehehe, nos divertimos bastante, não foi? Bom, em primeiro lugar queria dizer que eu vou queimar no inferno! Sempre fui uma vagabunda drogada e não mereço o respeito de ninguém! Mas também com a família que eu tive! Bom, mas nada é um mar de rosas...

Queria dizer que sinto muito por ter arruinado sua vida; Lina, Lucas não te deixou, eu inventei tudo aquilo, ele nem ao menos me bateu! A vida não é uma droga? Eu tô bêbada agora, mas ainda consigo escrever! Consigo dizer também que tudo que ele queria era uma família... E eu arruinei tudo! Ele só queria brincar no laguinho! Sempre menti pra ele, mas ele nunca teve vergonha de mim, sempre teve orgulho de mim! E quando ele estava indo embora, eu o xinguei e sabe o quê ele disse? Que me amava! Me amava! Eu queria ter sido uma boa mãe, queria me redimir, mas agora já é tarde demais, as drogas já tão fazendo efeito, sinto muito... Eu vou falar uma coisa pra você, se eu sobreviver a isso, aposto que nem o diabo me aceita no reino dele! Hehehe, tô alucinada, mas antes disso eu vou falar algo, ih! Olha o pombo voando! Hehehe! Nossa, a madeira tá... Hehehe, Lucas eu te............................. Brincadeirinha! Hehehe, eu amo meu filho, mas agora não adianta nada, destruí vidas, eu não quero que o mundo me veja, apenas quero que você saiba que amo Lucas!

No final tinha um desenho, mostrava o Lucas com a mãe e o pai de mãos dadas (o desenho parecia ser de uma criança de 8 anos). Eu não aguentei e dei um grito: - Maldita! Maldita!


Capítulo 46 - Um funeral cheio de mágoas...

Você achava que eu ia contar o quê aconteceu no funeral? Não, seu corvo ordinário! Apenas falarei que Lucas não estava lá, ele nem sabia que sua mãe estava morta... Eu quero antes de tudo dizer que eu ainda amo Lucas, por tudo que ele fez, mas ele fugiu pra onde? Isso é uma droga... Uma coisa é certa eu fui com a família de Sílvio para Porto, resolvi cuidar da minha vida e depois tentar encontrar Lucas...


Capítulo 47 - Rumo a Porto Seguro

No mês seguinte arrumei minhas malas, meu pai estava do meu lado:

- Cuidado filha, cuidado com o mar!

- É uma pena o senhor não poder ir!

- Tudo bem, eu só preciso trabalhar mais um pouco e aí sim eu entrarei de férias! Mas deixa de conversa que o carro do Sílvio tá lá fora, vai se apressando! -eu então dei um beijo no rosto do meu pai e saí de casa, lá fora tinha um carro todo preto me esperando com uma alegre figura na lateral; "Nóis é tudo cum formação na UiSP", com certeza era o carro de Sílvio. Eu bati no vidro e a porta se abriu, então pude ver a cara alegre de Sílvio:

- Vai entrando Lina!

- Cadê seus pais?

- Já estão no aeroporto.

- Ah! Vamos?

- Sim! -ele então ligou o carro e partimos rumo ao Aeroporto de Congonhas. Era muito triste isso, estávamos em pleno ano 2005 e o aeroporto não tinha mudado nada! Permanecera inalterável até agora! Quando estava em 1998 achava que tudo seria mudado, seria o futuro da tecnologia! Mas não sofreu alteração nenhuma! Para você ter uma ideia de como a tecnologia nada em passos curtos; nem a clonagem ainda foi oficializada!

Fomos ao aeroporto sem falar uma palavra, apenas ficava a música que tocava no rádio...

E então chegamos em Congonhas! A família de Sílvio estava ali com roupas bem ao estilo de turistas, eu sabia que o pai de Sílvio era um excelente surfista, que em meados o anos 80, só "surfava", então a mãe de Sílvio engravidou e o pai teve que assumir a responsabilidade. Estudou muito e cursou medicina na USP, hoje tem seu escritório e atende muitas pessoas por ano, ele é ginecologista! É, soa engraçado o fato de um homem ser ginecologista, pois o pai de Sílvio era um homem muito bonito e... Peraí? O quê é que eu tô falando? É melhor falar com eles:

- E então crianças estão prontas pra "surfar"?

- Pai, a gente não sabe!

- Ah! Essa juventude! Onde foi parar?

- Eh? Vamos indo? -disse a mãe de Sílvio extremamente contente. Então fomos a bordo do avião com destino a Porto Seguro...


Capítulo 48 - Enfim chegamos sãos e salvos!

Depois de algumas horas de viagem, enfim chegamos sãos e salvos! Nos hospedamos num hotel muito bonito e elegante, o quê eu achava desnecessário, afinal, era um hotel praieiro! Nos acomodamos e ficamos um mês muito alegre, cheio de sol e mar... Mas as coisas não param por aí, não! Nos divertimos bastante, apesar de estar um pouco envergonhada de me mostrar de biquíni para Sílvio, nadamos muito e... O pai de Sílvio surfava muito bem! Ele ia lá longe para pegar onda! Era perigoso por causa das encostas, mas ele queria fazer isso! Esperara tantos anos, talvez não, para finalmente voltar ao mar... E voltou...


Capítulo 49 - Porto Seguro? Acho que não...

Certo dia começou a chover, e é lógico que o pai de Sílvio quis pegar ondas! Queria ver a ferocidade do mar... Conseguiu ver, mas por poucos minutos...
- Querida, lá vou eu pegar umas ondas!

- Mas tá chovendo!

- Que chovendo, pra mim isso é garoa!

- Pai, tá o maior temporal lá fora.

- Que temporal, o quê, tá chovendo e o mar fica ótimo desse jeito. -ele então saiu correndo com a prancha pela porta. Foi a última vez que eu vi o pai de Sílvio...

Fomos ver onde estava o pai de Sílvio, estava bem longe e bem fundo, o mar? Estava muito feroz. Mesmo no raso as ondas pegavam e derrubavam, tanto que eu caí e Sílvio me segurou, ficou me olhando, nossas bocas foram se aproximando...

- Augusto! -ouviu-se o grito da mãe de Sílvio, era impressionante, eu só fui saber que o nome dele era este agora, mas o quê era mais impressionante eu não sabia: Sílvio ter me largado e eu ter caído de bunda no chão, se era eu ter ficado sabendo só agora o nome do pai dele ou se era ter visto o motivo de Sílvio ter me largado; Augusto (pai de Sílvio!) ensanguentado (como o sangue consegue brilhar nas piores ocasiões? É muito estranho) na encosta e a prancha de surf empurrando o corpo dele, fazendo-o se machucar ainda mais... Tanto fazia... Ele não sentia mais nada...



Capítulo 50 - Amizades rompidas, amigos ganhados

Morreu de traumatismo craniano, bateu sua cabeça na encosta e desmaiou. Este foi o laudo apresentado (não sei se chama laudo), após Augusto ter morrido, Sílvio começou a beber e parou de cursar medicina, ficou em casa, sem comer, somente bebendo e eu? Por quê a pergunta? Apesar de ter perdido um amigo muito bom, conheci outro; um médico que trabalhava num hospital lá em Guarulhos, o nome dele era Guimarães e era um bom amigo. Com o passar do tempo fiquei mais distante de Sílvio (pode me xingar a vontade por não ser uma boa amiga!) e terminei meu curso de Contabilidade.


Capítulo 51 - 10 anos se passam...

Logo após ter terminado meu curso, comecei a trabalhar como corretora de imóveis, continuei procurando por Lucas, até que um dia, enquanto conversava com Guimarães por telefone acabei soltando o nome de Lucas... Foi aí que tudo mudou...


Capítulo 52 - Lucas, em Guarulhos? Seria o destino?

-Oi, Guimarães!

- Ah! Oi Lina, como vai, tudo bem?

- Na verdade, não! Eu cansei, meu amigo Sílvio se afundou em incontroláveis bebedeiras, meu Lucas fugiu de mim há 10 anos! Eu não consigo mais esperar tanto!

- Quanto a Sílvio, somente o tempo vai curar, mas este Lucas? Dez anos se passaram e...

- O quê foi?

- Espera um pouco, eu vou pegar os arquivos... Sim, teve um Lucas que passou por aqui, tinha dinheiro apenas para começar a viver, era um rapaz bonito, saudável e educado!

- Onde ele foi?

- Ele parou aqui em Guarulhos, mas agora eu não sei, dez anos se passaram, Lina!

- Dez anos se passaram e você se lembra disso, como pode?

- Os elefantes nunca esquecem, hehehe!

- Eu tenho que ir, Guarulhos, certo?

- Espera, Lina... -eu então desliguei e quis ir direto para Guarulhos, mesmo não sabendo sobre o quê era a carta que ele tinha escrito, resolvi bolar uma carta de retorno, para tê-lo de volta...



Capítulo 53 - Não falem da infância!

Era isso, eu finalmente entendia-o! Ele não queria falar da infância, pois a única passagem dela que era alegre, foram as brincadeiras no laguinho! Ele nunca se importou para o quê outros falassem, só queria ficar ali brincando com seus verdadeiros amigos no laguinho! Por isso ele não falava da vida dele! Coitado, nunca teve uma mãe que demonstrasse afeição, teve que se voltar para os amigos... Que também esqueceram-no! E então a única afeição que ele tinha no momento era... EU! E eu o abandonei, deixei-o ali, largado!


Capitulo 54 - Carta de retorno

Já sei!

"Sim, Lucas, eu entendo sua situação e por isso eu te amo! Nunca mais quero me separar de você!"

Era isso, poucas palavras para me expressar por completo, podia agora ver Lucas!


Capítulo 55 - Guarulhos, uma carta que nunca teve destinatário

Cheguei em Guarulhos e comecei a procurar saber sobre Lucas, fui até o distrito policial e lá tinha uma ficha de Lucas, peguei o endereço de onde ele morava, antes do policial proferir as últimas palavras.[

Fui rumo a minha felicidade, que foi descartada no último segundo, pois um velho me contou algumas coisas, saí de lá correndo, chorando e percebi que tinha perdido minha carta! Esqueci-me de tudo, chorei demais e peguei um ônibus para nunca mais voltar aquela cidade! Mas quando fui voltar um carro parou em minha frente... Era o carro de Sílvio...


Capítulo 56 - Rumo ao encontro

-Entra no carro! Agora! -ele gritou, não era o mesmo Sílvio.

- Sílvio, você está bêbado!

- Entra, eu tenho algo pra te falar! -Lina então entrou e ele acelerou em direção a Dutra.

- Você nunca me quis, não é? Sua vagabunda! Tava atrás do dinheiro, não é, por isso se afastou, quando meu pai morreu? - falou Sílvio, gritando e babando.

- Não é nada disso! Você está bêbado! Sílvio olha pra frente! -Lina chorou mais intensamente.

- Ah! Não é? É claro que é! -então Sílvio trocou de estrada, indo pela contramão.

- Pára, Sílvio, eu quero sair!!! -disse Lina, com terror em seu rosto, um carro veio na mesma direção que Sílvio.

- Sílvio, olha o carro! Olha o carro! Ah!!! -então Lina pode ver numa fração de segundo Lucas! Estava chamando-a, ela podia ver o bilhete sendo entregue e Lucas dando um abraço e um beijo, podia ver também o laguinho, todos estavam lá, mas estavam adultos! Ela podia vê-los! Alegres e sorridentes, chamando para entrar na água, quem estava chamando? Lucas, é claro, segurava os braços dela, enquanto saíam lágrimas de seus olhos, estavam todos ali! Mas ela também podia ver os dois carros batendo de frente...



Capítulo 57 - Enfim, nos encontramos

- Oi, para quem não sabe, sou Lina, não queria que minha vida tivesse sido reduzida a isso! Esperava morrer numa cama, enquanto dormia junto com Lucas, mas nem sempre se tem o quê merece, não é verdade? Bem, quanto a carta, eu a escrevi, você viu, não viu? Não esperava que terminasse desse jeito, queria ter tido um final feliz como os das novelas... Mas infelizmente, vou fazer o quê? Lucas está aqui, uma mulher chamada Joana, até Silvana está aqui! Eu não consegui encontrar Dona Acácia nem minha mãe, vai ver estão tomando chá numa cozinha de velhos... Quem sabe? Quem pode saber...


Segundo Epílogo - Quem pode saber?

"Quem pode saber que você está vivo? Me diz? Quem disse? Vida após a morte? E se a morte for a vida? Você não sabe! Você sabe que se a morte for a vida, você tem que continuar morrendo, caso contrário, sua vida será sua morte..."

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