A Garganta da Serpente
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Deaf AIDS

(Victor Tales)

Não. Vejo nada; absurdo, como o Surdo. não se rebela contra o mudo, mundo, que o rodeia. Como um prisioneiro e a cadeia, a agulha perfura a veia, pode ser a cura; ou a morte de brincadeira.

Menino. Problema congênito. Não eram orelhas pequenas, ou pés tortos, nem problemas fartos de coração; era audição. Se você nunca ouve "eu te amo" você sabe o que é amor? Fica no que seja; seja lá o que for?

Vivia. Num quarto pequeno. O pequeno quarto era ¼ de tudo que sabia. Ele sabia que o sábia sabia assobia, que a aranha subiu pela parede, que samba lelê está doente (desse se preocupava, quem cuidava?). Descobrira ainda pouco que o cravo feriu a rosa; que pena que o casal não deu certo; amor é coisa difícil.

Mamãe. - Parou de chorar, mas não quer comer. Papai. - Se empanturrou com tanto choro. Enfermeira. - Melhor aplicar o soro. Rex. - Au! Au! Au! Au! Au! Au! Fagner. - Quem dera eu ser um peixe, para em seu límpido aquário mergulhar, fazer borbulhas de amor pra te encantar. Casa. - Tic, plic, plop, vop, sop, brig, lip, vrrr, xua.

Som. Médico. - Ele só tem 30% de audição. Papai.

- Pelo menos isso, 30% é o bastante num mundo com tanta coisa inútil para se ouvir. Mamãe. - Ele vai conseguir ouvir Beatles?

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