A Garganta da Serpente
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O enterro do pinguço

(Roberto Ribeiro)

No mês de junho passado
Foi relatado um assunto,
Sobre o velório do bêbado
Que transformou-se em "presunto",
Contou-se coisas engraçadas
Que envolveu o defunto.

Foi relatado o velório
Como também o cortejo,
Sofrido pelos amigos
Cumprindo o ultimo desejo,
Do velho bêbado sem vida
Da cara de percevejo.

E prosseguindo o cortejo
Chegou o fim do caminho,
Seu endereço escolhido
Pra enterrar o bebinho,
E muita coisa acontece
Neste tão curto tempinho.

Em fim chegava o caixão
Á porta do cemitério,
Foi incumbida a rezar
A filha do Zé Lutério,
O velho terço e rosário
Sem esquecer um mistério.

O velho portão abriu-se
Pra dar passagem o defunto,
Seguiu com todo cortejo
Sem desviar do assunto,
A ladainha é cantada
E todos respondem bem junto.

No meio da reza um barulho,
Desconcentrando a galera,
Era o Geraldo de Dora
Com sua velha paquera,
Escorregou no barranco
Caindo junto com ela.

Até ai tudo bem!
Nada de mais acontece,
Levantam logo do chão
E a galera o esquece,
Mais outro grito é ouvido
Outra pessoa padece.

Era Chiquinha Portela
Uma velhinha dengosa,
Sem espiar para frente
Botou um pé numa cova,
E enterro-se ao meio
Pois a covinha era nova.

Correu dois bêbados apressado
Pra socorrer a velhinha,
E esqueceram a altura
Que separava a Chiquinha,
Ficaram os três atolados
No meio daquela covinha,

Mais três sujeitos correram
Pra socorrer os amigos,
E a tragédia começa
Se transformando em perigo,
Foram enganchados na cerca
Deixando os três bem sofrido.

Mas tudo se harmoniza
E vai voltando ao compasso,
Com exceção do caixão
Que foi levado no braço,
Pois despencou, foi ao chão,
Deixando a tampa em falso.

Ao ser levado pra cova
Uma das alças se arranca,
Virando assim o caixão
E desprendendo da tampa,
Foi despejando o defunto
Junto da base da rampa.

Êta! Agonia danada
Pra ajeitar o defunto,
Pois os dois pés se abriram
Não quis ficar os dois junto,
Teve risada e piadas
Dentro do triste assunto.

E foi assim o enterro!
Desse caneiro sem rumo,
Desculpe algum pé-quebrado
Peço desculpa e assumo
Pois não escrevo faz tempo
Nem mesmo assim pra consumo.

(10 /10 /2008)

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