É uma série de fotografias que mostram a realidade através de uma TV, uma visão do mundo contemporâneo, onde a estética do simulacro (aparência, fantasma, reprodução imperfeita) prevalece.
É o recorte destas imagens da representação da realidade através da televisão, através da máquina fotográfica (obtendo a visão estática da tela) e, conseqüentemente, transpondo a fotografia à outra tela em acrílico, mimetizando a televisão; é o objeto como imagem.
Quando a televisão emite e recepta a imagem, através de pixels, de qualquer lugar para qualquer receptor, transporta essas imagens, do objeto, simultaneamente, para o telespectador. Tornando qualquer expectador acessível a tais imagens, a partir do seu click, quando este liga a TV, deixando a mercê do mesmo, o que ver.
Representa atuais humanóides que enxergam através da mídia, dando a idéia distante da subjetividade atual.
Ironiza a realidade pela TV, o império das simulações, por isso é a imagem da TV, por onde muitos sonham, recebem informações construtivas ou destrutivas (depende de quem a vê), emergem, fazem amor, se reconstroem, se alimentam, se alteram. É a perda da identidade e do caráter.
A visão através da mídia, ou seja, através dos olhares sugados pela mídia.
O efeito tecnestésico da televisão fornece outra trama para a fotografia, uma sensação de algo intrigante, talvez de nostalgia por algo perdido pelo império dos simulacros, pela perda de identidade, causando a alienação e atrofiação social através da televisão O significado da perspectiva artificial: no «Diccionário de uso del español (II, 717)», tem como entrada para perspectiva de «vista de una cosa de modo que se aprecia su posición y situación real, asi como la de sus partes», o que nos orienta para a etimologia da palavra (do latim perspicere que significa ver claramente, ver através de). A interpretação da realidade é sempre modificada por quem a cria, pela técnica e pelo ponto de vista do observador. Umberto Eco (1985) mostrou como a percepção do espectro cromático está baseada em princípios simbólicos, ou seja, culturais. Pois, somos animais que conseguimos distinguir as cores, e, acima de tudo, animais culturais (Eco, 1985).
É a visão através da tela da televisão, é a série Telavisão.
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