A Garganta da Serpente
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FAÇO-ME VELHO

(a J. Roberto)

Contornar a insensatez diária
A passos leve de sonhador,
É consternar-se ante o vazio
Do suposto caos criador;
E se do nada criou-se tudo
Faço-me velho para acreditar
Na imponência científica
Dos que vivem a calcular
A imolar a resistência
Daqueles que vivem para o sonhar.
Se desprovido de metáforas
Despido do ignorar
Contido não estou
Hipótese do esmerar
Faço-me velho para esperar
Pela solução milagrosa
Amputação do pensar
Carbúnculo da oratória
Desgraça compulsória
A quem tentamos enganar?
Faço-me velho para ensejar
Um salvador
Que não esteja atrelado à morte
Sob decibéis atômicos
Que nos ridicularizam,
Colocando em dúvida o pensar;
Faço-me velho para suportar
A escravidão da necessidade
E a carência de individualidade
Que insiste em nos preservar.
Joelhos que se dobram
Ante a autoridade divina
Valha-me anabola!
Protejo-me em barricadas
De livros e corpos amontoados
Chega a ser proteção.
Faço-me velho para hipocrisias
Faço de mim um ermitão
Prisão do óbvio
e do acaso.


(D'anton Medrado)


voltar última atualização: 16/05/2017
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