A Garganta da Serpente

Francisco Maximiano da Silva

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Eu nem se quer sou poeta: Vejo.
Só vejo.
Tudo o que pensam ou não pensam de mim é independente de mim.
Se fosse outro talvez pensaria sobre o que pensam de mim.
Como sou eu,
Penso só os meus pensamentos:
Penso o que penso de mim, e não posso pensar o que pensam de mim - para que me preocupar?
Me alegro por isso.
Me alegro em saber que o que é UNIverso ainda se faz de indivíDUOS.
Me alegro em saber que o Tudo só é tudo se contém também o Nada.
Me alegra saber que Nada contém Tudo.

Uma vez chamei-me aprendiz de poeta,
Talvez nem isso seja:
Vejo,
Só vejo,
E vejo só.
Vejo as coisas,
E talvez,
Nas coisas um pouco mais que as coisas;
Talvez meus pensamentos refletidos.
Vejo com cinco olhos:
Os outros três são olhos de não-poeta.
Vejo.
Vejo coisas, que é o que se vê.
Vejo versos, que também são coisas.
Vejo nada.
Talvez,
Só te vejo.

Vejo...
Você quando os olhos fecho.


(Francisco Maximiano da Silva)


voltar última atualização: 07/08/2006
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