A Garganta da Serpente

Francisco Maximiano da Silva

  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

OLHEI PARA o que fui e não sou num choro sem lágrimas.
Olhei para todas as rimas que não podiam ser todas que a vida faz e não faz.
Olhei para trás sem me virar:
Olhei para dentro, para o fundo,
E nascentes vi o que era e não sou.
Aquele que era outro,
Este que é outro e não o que foi,
Pois o que foi já foi.
E por não ser mais todos os dias,
Morrer para viver todos os dias,
Ainda é o mesmo
No que eternamente muda para se manter.

Já não sou
Aquela criança que sonhava que voava,
E só de vez quando sonho com aquela que amava
Dançando roda em festa de São João
Ou sendo bruxa brincando em Sabat até o dia acabar;
Ou ainda!,
Juntinhos em qualquer ocasião amarrando os dedos com as mãos
Para entrelaçar corações estúpidos.

Um olhar que paralisava;
A mudez que é para se falar com os olhos;
Gestos que a alma abraçava:
Pura utopia, besteirol de quem amava.


(Francisco Maximiano da Silva)


voltar última atualização: 07/08/2006
1 visitas desde 01/07/2005
Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente