A Garganta da Serpente

Lenita Gonçalves

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MEU PÓLEN

Tu falas tanto do vento
Ele nem vem, nem te traz
pra levar esse cheiro
que te dou tão fugaz.

No teu peito, o lenço
que nem o gozo enxugou
ou insípida lágrima
da boca que agora é tua.

Tu falas muito do leito
d'um peito que é desalento
mas, que arde e reflete
no ventre de quem te é nua.

E que limite há de haver
no pleonasmo do que se atrai
mas, que não se trai
onde há razão de ter traído?

Vem repensar esse teu jeito
nos meus braços, no meu meio
e encontrará o resto do gosto
que nem te veio em gôzo.

Vem desaguar o corpo
nos meus espaços, no meu seio
e grudará como pólen na pétala
que eu te abro, inda em chama.

Meu pólen.


(Lenita Gonçalves)


voltar última atualização: 16/03/2008
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