A Garganta da Serpente

Lenita Gonçalves

  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

Presença

ela era pequena
apesar de gastos "ânos"
ela moleca sapeca
de cara sem-vergonha
não tinha pêlos
nem seios
mas era pura malícia

não era Lolita, nem Anita
era uma baixinha
de bocetinha flamejante
ainda virgem
ninguém sabe se onde

já tinha buracos
de dedos estranhos
se ouvia "Te quero"
"Eu meu dou. Ganho doce?"

era uma formiga magra
gulosa
qualquer coisa cabia
naquela boca fogosa
pequeno fino grande
ou grosso
se tivesse recheio
seria um colosso

se via um membro
já se erguia
mostrando as partes
pudentas
mui vezes fedorentas
de n gozos de estranhos
e gemia
mal gemia
falsa serena dissimulada
atriz
meretriz menina
que carregava no corpo
uma cicatriz, uma marca

não era Anita, nem Lolita
era a presença
de uma falsa Lenita
que não se dava
apenas sonhava
com sexo desejo
e mastros
atriz
de pequenos "paucos"
não era Hilst
talvez Lori Lamb


(Lenita Gonçalves)


voltar última atualização: 16/03/2008
12104 visitas desde 01/07/2005

Poemas desta autora:

Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente