A Garganta da Serpente

Leonardo Minduri

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O noctívago

A noite irrompe com passos lentos...
E o poema se levanta e vaga como o vento
É uma dor conjunta que se manifesta na brisa da noite
São caminhos ainda não percorridos pela foice
Os filhos ainda sem nome
As planícies esquecidas
Os poemas não lidos
O corpo nu que não sente frio
Em noites aquecidas com etéreo vinho
O noctívago é perspicaz
Ela caminha sedento
Por aves que sentem o frio noturno
E o dia abre seus olhos (sóis)
É uma extensa dor ferrenha
Os olhos do noctívago ardem de dor
E ele, exausto, se entrega ao fastio da manhã
O dia golpeia seu ventre vazio
Acordando seus sonhos atemporais
E, na estante de livros,
Entre poetas e músicos,
Ele ainda adormece sem mácula:
Restam nuvens e poucas palavras
E o noctívago anseia as próximas noites aladas
O noctívago acorda para a noite
Cuida do seu jardim, aves e letras
As folhas e plumas gotejam poemas
Que molham páginas desérticas
Bocas que imploram néctar
Frio e frutas do outono.

Ele declama buscando sua musa em extinção:
Deixe que meu canto
Inunde seus olhos lânguidos
Afogue teus ternos beijos
E acaricie tua sensível nuca
Que eu possa fecundar
Tua caverna de anseios
Que eu possa modificar
Teu gosto diurno
Porque a lua solitária
É meu agradável turno
Meu subúrbio, meu túmulo...

(Leonardo Minduri)


voltar última atualização: 09/10/2008
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