A Garganta da Serpente

Lycurgo José Henrique de Paiva

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A C. M.

Fala, diz-me o que queres, mas não busques
Artifícios só próprios da vendida;
Dita a lei do egoísmo que me oprima...
- Dispõe da minha vida!

Se há na terra um martírio, algum suplício
Que teu ódio maior, pra lá me envia!
Tens uma alma também - sê generosa,
- Meus males alivia!

Eu mereço inda mais - sou réu confesso
Por te dar um amor maior que o mundo;
Sê tu mesma o juiz - estuda a causa,
- E que pune o mal profundo.

É pra mim uma glória que tu própria
De minh'alma o destino abismes - pune...
Faz em mim recair o ódio todo
Que o teu gênio reúne!

De parte a compaixão! mas não me arrojes
Da loucura, mulher, no caos horrendo,
Na incerteza de ti, do inferno em meio,
Porque vivo sofrendo!

Abre os lábios - murmura uma só frase,
Mas que seja sincera, se tens alma!...
Fala, diz-me o que queres - se só flores,
Dar-te-ei uma palma!


(Lycurgo José Henrique de Paiva)


voltar última atualização: 08/07/2005
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