A Garganta da Serpente

Lycurgo José Henrique de Paiva

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Por seus olhos

Deitei-me, era já tarde - o céu da noite
Parecia envolver mágoas no seio;
A lua amortecida em nuvens turvas,
Talvez se rebuçava em doce anseio!...

Mas não pude dormir - meu pensamento,
Como um bando de garças pelo espaço
Adejava num vale, onde só flores
Do meu anjo povoam seu regaço.

Levantei-me do leito inda enfezado
Da vigília do estudo - a minha vida -
E abrindo a janela debrucei-me
Só contigo a cismar, alma querida.

Minhas noites assim levo sonhando
Em teu rosto, que os olhos me enfebrecem!
Fantasio-te suspensa numa nuvem,
E teus mimos contemplo, que enlouquecem.

Vê pois, como eu te adoro: é testemunha
De meus sonhos a lua, que me afaga,
E, se a brisa algum som leva passando
De meus lábios, teu nome só propaga;

Se as árvores sussurram brandamente,
Tua forma para logo idealizo
E os rumores da cambraia
Cismo ouvir da vestal, que não diviso;
Se os perfumes nos ares se condensam,
Que eu respiro das flores, quando cismo,
Creio o aroma sentir de teus cabelos
Enlevado na luz do romantismo.

Tanto amor é em mim, virgem , um astro,
Que inda mesmo nas noites nebulosas,
Fulge, brilha, derrama seus luzeiros
Nas cavernas da insânia pavorosas!

Vê pois como eu te adoro! e há momentos
Em que eu dera de gosto enternecido
Toda a vida que Deus me concedesse,
Por morrer a teus pés estremecido;

De teus olhos na luz, qual mariposa,
Inda aos fogos ardendo em chama viva,
Bendizendo por glória os assassinos
Nas suaves canções da Casta - Diva.


(Lycurgo José Henrique de Paiva)


voltar última atualização: 08/07/2005
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