A Garganta da Serpente

Marcelo Portuaria

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Crise social de minha memória

Como ouso comemorar sem memória?
Nenhuma palavra corresponde ao meu cinismo.
Me ilude, convence e arrasta,
pois não pode haver sinceridade,
quando meus olhos julgam sem preparo.
Vejo que são meus filhos, todos,
são meu tempo, muitos,
minha memória.
A coragem para transformar é o presságio que anima e tenta rejuvenescer.
São eles cidadãos e eu não,
pois os meus pronomes estão mortos,
e são todos coerentes,
por que não podem criticar a si mesmo.
Por isso agora levanto a vós,
pois mais ninguém quer ouvi-los.
Estão deixando-os a margem e a mim,
levando mais do que tenho.
Tentei afirma-los como munícipes,
mas não nos deram a voz,
um de lá disse ser a utopia e outros,
taxou-nos comunistas.
Estivemos a criar um seguro que amparasse as necessidades sociais,
ou que firmasse a tranqüilidade aos famélicos.
Não sei, ainda choro.
Minhas lágrimas são de mercúrio,
e meu lenço de papelão,
pois o ódio é um espinho que latrocina a beleza da sua flor.
Por esse tempo a marca da loucura é a miséria,
mar de crise e brutal.
Impede de sonhar e maltratar-nos,
verte o sangue em diesel,
onde nenhum motor da partida.
Queria dizer assim:
Vai menina mostre seu diploma universitário!
Mas não.
O que ela mostra é uma ação de investigação de paternidade.
E ali entre o rio e a industria,
os peixes e os operários correndo,
para antes chegarem em algum lugar.
Aquele tenta chegar no mar antes da chuva,
e este, tenta ser rico, acumulando bens.
Equiparo a lua ao sol,
Porque aqueles que pretendem ser a luz,
precisam ser doutrinados pelo escuro.
E no mar e na riqueza verei todos,
acredito que verei, pois a larga impressão que tenho,
É que já não tenho memória.


(Marcelo Portuaria)


voltar última atualização: 07/08/2007
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