A Garganta da Serpente

Maurício Chamarelli Gutirrez

  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

ESTES VERSOS DEDICO À MEMÓRIA DOS DEUSES
              que fartos de seu desconhecer
Lançaram-se frutos em abismos de nada.

Aos deuses que, cansados de plantar o que hoje é adubo dos campos,
Enforcaram-se em caules de videira,
A eles dedico este canto.

E o que eles viram,
que os fez assim arrefecer,
que os fez querer ver mais, ou nada mais querer ver;

O que eles viram,
O que nunca virei a conhecer
Permanece lá guardado
desde que arruinei o oráculo dos tempos.

              Em memória de mim mesmo manuscrevo estas curtas palavras:
De como, carcomido o fruto, brotei da semente abismal
De quando pelos templos da memória adentrei
De que lanças me usei
De quando profanei meu nome
E rosto e pele e torso
De como silenciei minha boca de filho,
minha língua de fiel.

De desde então me ser dito;
                                   Manhã.

E pulso
Do que salta como assinalado
Pra dentro do espaço.


(Maurício Chamarelli Gutirrez)


voltar última atualização: 13/03/2007
3025 visitas desde 13/03/2007
Copyright © 1999-2020 - A Garganta da Serpente