A Garganta da Serpente

Paulo Garcia

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POLILINGUE LEMINSKY

O homem ali.
Vernáculo em pessoa.
A palavra paroxítona
que nunca foi batizada nas águas do Jordão.
Um vulcão poético.
Atônito.
Às avessas.
Parte de uma indiada,
mas imperioso como um fonema japonês.
Talvez engajado em uma oração subordinada,
ainda que maldito aos olhos canônicos.

O sonhador assindético,
de pulmões e garganta transitivos.
O esforço silábico da prosa caótica.

Um nome apostólico.
Uma interjeição de bigodes.
O tipo de sujeito existente,
como os hai-kais.
Possuindo todos os predicados de escriba,
era um homem que criava em gaiolas o bicho alfabeto de vinte e tres patas.

Tomava chá com Bashô.
E era sentimentalista,
apesar de ser um samurai mestiço de Curitiba.


(Paulo Garcia)


voltar última atualização: 07/08/2003
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