A Garganta da Serpente

Pedro Luís Pereira de Sousa

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Fitando longe os teus passados dias,
Vendo tingidas de mortais palores
Trêmulas crenças entre murchas flôres,
Em pó desfeitas puras alegrias;

Em sonho, em riso, em lágrimas, dizias:
"A noite rola fúnebres vapores...
Mas brilha a estrêla d'alva! Aos seus fulgores
É verde o campo, o mar tem harmonias".

Era êsse filho que adoravas tanto
Na densa névoa d'alma entristecida,
Azul estrêla, da alvorada o canto.

Cedo trocou-se, na estação querida,
Do orvalho a gota em pérola de pranto:
- Morreu em flôr a flôr de tua vida.


(Pedro Luís Pereira de Sousa)


voltar última atualização: 06/12/2005
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