A Garganta da Serpente
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Pássaro

Sou um pássaro
E ruflo minhas asas
Rente ao rosto de Deus
Serenamente, ouço o silêncio do mundo
Ouço murmúrios de multidões aflitas
Mas sou pleno no espaço
Rumo ao infinito
Do alto
Mas bem do alto
Vejo um rio
Suas águas são serenas
Como é serena também a minha vida agora
Sou único
De olhos fechados
Posso ver a plenitude do universo
Do meu universo
Posso sentir o palpitar do meu coração
Sinto o sangue latejante percorrer em minhas veias
Sou eterno
Sou eterno neste voo despretensioso
Daqui de cima
Do meu mundo indelével
Posso ver
Lá embaixo
No universo do holocausto
Um universo plácido
Assim, que nem o meu, aqui em cima
O meu interior é um pássaro
Que faz das ventanias extraordinárias
Uma brisa meiga
A beijar minha face
Minha vida é um pássaro
Nossas vidas passarão
Muitas vidas passarinhos
Por entre galhos retorcidos
E com galhos ressecados
Fazemos aconchegos macios
Nossas vidas são pássaros
Que conseguem voar
Mesmo com ventos opostos
Voam
Num só objetivo
De mais um dia
Colocarem petiscos à boca de seus filhos
Sem serem abatidos
Somos pássaros
Somos passarinhos...


(Torelle Vidal)


voltar última atualização: 16/05/2017
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