Era para ser uma Festa Junina como outra qualquer. Mas não foi. João
Punk, vocalista do LOBINHO e os 3 PORCÃO foi levar sua filha , Ana Vitória,aluna
do 3º ano do ensino médio, para dançar na quadrilha do Colégio
Atual que fica na rua V-3 nº 819 na vila Rezende na Região Sudoeste
da Grande Goiânia. Mas o que viu foi uma cena de puro preconceito por
parte do senhor Paulo Roberto Nunes, representante da instituição
de ensino.
João, ao escolher esta escola para que seus filhos estudassem, tinha
em mente que estaria oferecendo uma boa educação aos seus herdeiros.
Como seus pais fizeram quando o matricularam na na Escola Jardim de Infância
Jaó, atualmente conhecido como Educandário Yara Berocan, que utiliza
a teoria socio-interacionista. Inclusive, João estudou com Fon Sin dos
DOENTES DO AMOR e Swarup do FIRST STONE. As crianças eram incentivadas
e não descriminadas e maltratadas.
No entanto, João ficou decepcionado com a cena que presenciou. Tanto
sua filha como os seus amigos foram humilhados após pagarem os 3 reais
para adentrar na festa do colégio. Para piorar a situação,
na mesma semana houve uma palestra sobre preconceito na escola. Mas foi isso
que motivou a falta de educação daquele que deveria ser e agir
como um educador de jovens.
Segundo o senhor Paulo Roberto Nunes os adolescentes em questão: Paulo,
Jônatas, Vítor, Melina, Gabriel, Cris e Ana Vitória foram
barrados por serem esquisitos. Traduzindo para um português mais claro,
por serem adeptos da arte corporal. Ou seja, pelo uso de piercings, tatuagens
e alargadores. Visual básico de skatistas e de jovens há pelo
menos uns dez anos. Ou seja, foi preconceituoso e desrespeitou a própria
Constituição do Brasil que em seu artigo 5º e nos incisos
IX e X, que inclusive garante indenização por dano moral decorrente
de sua violação.
O dono do colégio, um verdadeiro brucutú, para não nos
rebaixarmos à sua posição, apontou o dedo na cara de Potter,
Vítor, 18 anos, e afirmou, literalmente, aos gritos que este seria filho
de uma meretriz. Na verdade, a palavra fruta sem as letras "f" e "r"
e no seu lugar a letra"p". Talvez um linguagem usada em estádio
de futebol, afinal estamos em época de Copa do Mundo ou mesmo na sua
casa, mas que nunca deveria ser pronunciada por um educador em uma festa típica
para alunos do ensino médio e seus amigos. Aliás, para pessoa
alguma.
Talvez isso seja reflexo da crise educacional que o país atravessa há
muito tempo. Inclusive, é rentável ser dono de uma escola particular.
Isto virou um filão devido a falha do governo de não oferecer
uma educação adequado para a população. Por isso
ficamos reféns de escolas particulares que fazem a farra e faturam alto
ao cobrar altíssimas mensalidades e oferecem um ensino de péssima
qualidade. Ou seja, uma instituição de ensino virou um negócio
para "empresários do ensino" desqualificados aproveitam a ocasião
e praticarem barbaridades como a que ocorreu no Colégio Atual, por ocasião
de uma festa junina, que mostra de forma amarga um retrato de nossa triste realidade.