A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Dowload Gratuito

(Carlos Pompeu)

Nesta sexta-feira não irei falar da felicidade causada por mais um fim de semana que se inicia. Mas devo discorrer sobre a questão do download gratuito. Além de declarações que foram feitas a respeito de porcaria e música ruim. Enfim, "Crônicas do Fim do Mundo" compra a briga e a nossa munição é a argumentação apresentada abaixo. Com certeza, a outra parte continuará calada. Mas "Vamos Nessa".

Renato Russo, o poeta da colina, gostava dos Mamonas Assassinas. Aliás, quem é que não curtia a irreverência do grupo? Mas eles não obra do rentável escritório de Rick Bonadio, mas de um garoto, que tem o perfil de um internauta, que na época tocava
bateria no Baba Cósmica. Hoje (Rafael Ramos,é ), o capo, da Deck Disc.

O senhor Bonadio, um homem de negócios disfarçado com roupas de roqueiro, assina ou já vinculou seu nome ao sucesso de Charlie Brown Jr, Los Hermanos, tirando o lance das cabeçadas nos aeroportos da vida, e outras distrações musicais. Consta que o hit "Ana Júlia" é de sua fornada, assim como alguns pseudo hits de tantas outras novas bandas "emo ". Acho até legal aqueles meninos com um corte de cabelo diferenciado e sua postura assexuada que lembra bastante algo, que o vento sopra dos frios ares, da gringolândia.

Mas, o que pretendo dizer, é que banda que não faz sucesso comercial é ruim. Ou que música que tem download gratuito é uma porcaria. Pode ser. Depende de qual lado você esteja nesta pendenga. Aliás, gosto é como orifício manual, se é que me entende, mas as produções comerciais e rentáveis, poderia até entrar na bolsa de valores, de Rick Bonadio são apenas recalques requentados e traduzidos para o português brazuca do que passa na MTV do hemisfério norte. Ainda bem que ele não se mete a copiar, quer dizer produzir rap.

A prova , desta minha argumentação, afinal para combater ideias (mesmo que estúpidas) temos que ter o poder de elaborarmos uma tese contrária, portanto, refiro me ao disco solo do vocalista do "Fresno". Nunca falaram mal de mim. Nem sei se é do tal Midas. Mas o tal do "Bishop" é puro Jonas Brothers. Não é que seja fake. Vende bem, mas é muito ruim. Nem com download grátis quero ouvir. Agora, um velho e clássico LP dos Beatles por 100 reais ou um pouco mais acho que sai barato.

Hoje em dia, com a Internet e o século XXI, existe público para todo o tipo de gente. Tem mercado para todo tipo de artista. Assim como tem papel higiênico de vários modelos. Sendo assim qual seria o seu conceito de sucesso? Lá na Califórnia é Músculos, dinheiro e felicidade. Não comungo desta ideia. É o mesmo que dizer, na minha opinião, que o cérebro existe para formatar a cabeça e separar uma orelha da outra. Van Gogh só precisou de uma. Humor negro. "I love Vincent". Enfim, música também é um ótimo negócio, que pode ser bastante rentável, como um outro qualquer. Temos o Axé, Pagode, Música Sertaneja, mas não gosto.

Mas, qualquer que seja a querela, acredito que o artista nunca tem culpa. Ele é o operário da arte. Entretanto, sabemos que existe uma indústria por trás disso tudo. Como ressaltou Marco Antonini, um grande artista e músico, além de um ser humano sensível aos anseios populares e um cara inteligente, Rick Bonadio pertence ao sistema. Aliás, um sistema que está ruindo. Lembra daquela brincadeira de criança que dizia: "apelou perdeu"? Como os extintos dinossauros pré históricos, não estou referindo ao bom e velho rock and roll, mas, esta indústria cultural do jeito que ainda se apresenta está fadada ao desaparecimento. Como o Titanic, este sistema do século passado, também beijará seu iceberg.

Sou defensor do download gratuito. Carrego essa bandeira em qualquer mídia . Além disso, acredito que os artistas só têm a lucrar com esta iniciativa. A velha indústria não. Velhinhos acomodados não largam o ultrapassado fóssil mineral. Mas quem deseja retirar tal artefato destes arcaicos cidadãos do ontem? Por isso, esses empresários, estão esperneando. Por isso, Rick Bonadio, que sempre se manteve calado em sua posição cômoda , tal qual o dono de mercearia que vende chiclete, é convocado para "falar", em tom de papai sabe tudo, sobre algo anacrônico, demodê e obsoleto. Talvez esteja percebendo que sua fórmula mágica está com seus dias contados.

Talvez a contagem regressiva do calendário Maia tenha causado um rombo no caixa de seu escritório. Pode ser. Enfim, produtos descartáveis existem nas prateleiras de lojas de conveniência em postos de gasolina, enquanto a Arte e a Cultura não são "objetos" palpáveis. São substantivos abstratos. O mundo deve estar mesmo chegando ao fim. Mas a vida continuará para os bons.

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