Falta às pessoas um pouco mais de humildade dizerem ao que vão
e o que querem. Habitam em nós muitas máscaras possessivas e por
demais evidentes para que se possam subtrair por um comportamento mais condigno
e de acordo com o ser humano falho e imperfeito. O supor que algo de sobre-humano
traz perfeição e que o tempo tudo atenua e desculpa ou rectifica
nossos erros humanos faz de nós pessoas solitárias e prepotentes.
A riqueza está sempre do lado do mais popular , sendo que o braço
torce sempre que há uma dissemelhança, com o que é básico
no homem e faz ponte, com o seu bom senso primário e ordinário.
Sopram ventos de mudança, mas o Homem não está preparado
para a revelação de novos critérios de tão fundamentalistas
e convencionais que se tornaram.
Ao Homem exige-se ouvir e passar a palavra inteligente e comprometedora ao seu
receptor atencioso e abrangente com a música mística do ressoar
da voz.
Todo o mal reside a partir do momento em que o Homem deixou de viver em comunidade
e passar seus costumes ancestrais, em que havia um respeitoso consentimento
pela sabedoria dos mais velhos, aos chamados anciões guardas da palavra
transcrita e honrosa.
Já não há jovens para escutarem os seus lideres culturais
de maneira que a palavra não progride crescendo livre e sumptuosamente,
morre à nascença prematuramente e de forma dolorosa para toda
a humanidade.
Cada vez se dá menos atenção à forma como se escreve,
quem faz da escrita sua obra e poeticamente falando a poesia virou um traste
em que se tem de pedir o obsequio para escrever de forma digna e respeitosa,
para com os seus leitores. Mas os leitores têm a sua quota-parte de culpa
quando ao lerem detectam um erro e não o comunicam ao seu autor. A internet
virou uma bagunça e os erros são costumeiros, entretendo-se as
pessoas com as lindas formatações que vêm sempre a par das
poesias, estas são feitas para a vista e muito menos para o seu consumo
interno e intelectual.
(11/07/10)