A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Possessão

(Jorge Humberto)

Falta às pessoas um pouco mais de humildade dizerem ao que vão e o que querem. Habitam em nós muitas máscaras possessivas e por demais evidentes para que se possam subtrair por um comportamento mais condigno e de acordo com o ser humano falho e imperfeito. O supor que algo de sobre-humano traz perfeição e que o tempo tudo atenua e desculpa ou rectifica nossos erros humanos faz de nós pessoas solitárias e prepotentes.

A riqueza está sempre do lado do mais popular , sendo que o braço torce sempre que há uma dissemelhança, com o que é básico no homem e faz ponte, com o seu bom senso primário e ordinário.

Sopram ventos de mudança, mas o Homem não está preparado para a revelação de novos critérios de tão fundamentalistas e convencionais que se tornaram.

Ao Homem exige-se ouvir e passar a palavra inteligente e comprometedora ao seu receptor atencioso e abrangente com a música mística do ressoar da voz.

Todo o mal reside a partir do momento em que o Homem deixou de viver em comunidade e passar seus costumes ancestrais, em que havia um respeitoso consentimento pela sabedoria dos mais velhos, aos chamados anciões guardas da palavra transcrita e honrosa.

Já não há jovens para escutarem os seus lideres culturais de maneira que a palavra não progride crescendo livre e sumptuosamente, morre à nascença prematuramente e de forma dolorosa para toda a humanidade.

Cada vez se dá menos atenção à forma como se escreve, quem faz da escrita sua obra e poeticamente falando a poesia virou um traste em que se tem de pedir o obsequio para escrever de forma digna e respeitosa, para com os seus leitores. Mas os leitores têm a sua quota-parte de culpa quando ao lerem detectam um erro e não o comunicam ao seu autor. A internet virou uma bagunça e os erros são costumeiros, entretendo-se as pessoas com as lindas formatações que vêm sempre a par das poesias, estas são feitas para a vista e muito menos para o seu consumo interno e intelectual.

(11/07/10)

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