Há quem acredite em demônios, eu prefiro acreditar em anjos.
Tem anjo por todo canto.
Eles não sabem hebraico nem aramaico. Tampouco entendem de latim. Não
possuem asas nem auréolas. Então presentes, apenas, dando seu
recado na hora da necessidade, estendendo a mão amiga, agindo com precisão.
Encontro anjos sempre que um pneu de meu carro fura, quando tenho dúvidas
e quando caí da escada e quando os ministros da fazenda arrocham de vez
meu já ridículo salário.
E quem, senão um anjo, estava de plantão e me rebocou até
o mecânico na tarde tempestuosa em que meu carro pifou na pista sem acostamento
da estrada de mão dupla?
E quem, senão um anjo, na noite escura da alma, acolheu em suas mãos
meu coração dilacerado?
Anjos em profusão espalham sorrisos e músicas pelas esquinas da
vida.
Talvez existam diabos à solta por este vasto mundo de Deus afora, mas
eu não os percebo. Estou ocupada demais colecionando anjos.