À medida que o mundo envelhece, o homem deveria aprender a resolver,
de forma mais confortável, sua relação com a natureza e
com os valores éticos e estéticos. Ao contrário, chegamos
ao século XXI, sujando as cidades, adulterando o meio ambiente enquanto
a política comercializa votos e apoios como se a vida fosse uma ficção
pobre de imaginação. Mas o pior é que a política
é uma realidade cara à nação, com pouca contribuição
para resolver os nossos problemas. Passamos o tempo falando de partidos políticos,
corrupção, pesquisas eleitorais. Quando não estamos de
olho nas imagens da televisão e lendo manchetes que não enriquecem
a paisagem cultural. Um tempo perdido. E assim vamos vivendo uma vida de eleitor
/ voyeur de irregularidades e mordomias de uma república que não
nos pertence.
O problema não está na direita ou na esquerda, mas na prática
política que vem desqualificando a saúde, a educação,
a ciência e a cultura, consequentemente a cidadania. Quanto custa uma
eleição e a manutenção de um parlamentar para os
cofres públicos? Quando faltam recursos para a saúde pública,
a educação, as pesquisas científicas, a proteção
do meio ambiente e a habitação popular, sobram para as campanhas
políticas. A primeira impressão que temos da política,
no atual contexto, é que ela, além de ser um gasto desnecessário,
é uma forma de controle do pensamento, pois confina o discurso do cotidiano
aos limites dos interesses partidários.
Será a democracia uma opção que não deu certo? Um
país para crescer e garantir o direito de liberdade a todos os cidadãos
precisa de mais ciência e cultura do que partidos políticos, de
mais competência e menos militância na administração e nas decisões.
Somente assim vamos pensar em solucionar os nossos problemas e garantir para
a maioria a possibilidade de viver com o mínimo de dignidade.
No interior de um país existem vários países, no Brasil,
o país da política dominou e silenciou todos os outros. Há
uma supervalorização da "fala política" que invade
todos os espaços: o domicílio , o trabalho, a universidade, o
espaço urbano. Também pudera, quem não gostaria de se tornar
um parlamentar? Ter um belo salário e um trabalho que não exige
uma qualificação profissional? Além do mais um político
tem poder até para legislar sobre assuntos que escapam a sua competência.
São os senhores da nação e nós, pobres eleitores,
somos os seus servos.
Mas tudo isso é tema para romance de analista político, não
é da minha conta. "Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se
calar". Talvez não seja agora o momento para citar Wittgenstein.
Em minha opinião, o discurso político para ser democrático
é imprescindível permitir o circuito de outros discursos, como
forma de desenvolver o conhecimento de nossos próprios problemas e aprofundar
nossa relação com o mundo.