A Garganta da Serpente
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A visualidade da bossa nova
(Almandrade)

A Bossa Nova na forma discreta e econômica de sua expressividade foi a consciência e a sensibilidade moderna que transformou a música popular brasileira. Ao se apropriar do samba como um produto depurado e destilado fez dele um pensamento poético musical. Uma música urbana, sintética reflexiva, coerente com a arquitetura e o urbanismo de Brasília, a poesia e a arte concreta, o cinema novo. O Brasil moderno que tinha até um "presidente bossa nova".

Interpretar ou traduzir para uma linguagem pictórica as imagens sonoras, concisas e delicadas, os elementos ou valores melódicos e rítmicos da Bossa Nova, não deixa de ser um desafio agradável para o artista plástico. A idéia desta exposição é fazer da escuta dessa estrutura musical um objeto do olhar, reinventar-la em imagens no estilo ou linguagem de cada artista convidado. Dos acordes e silêncios que chegam a interrogar sua própria essência, imaginar uma memória visual de uma música sutil e racional como os sussurros de um João Gilberto que em determinados momentos lembram as composições de Mondrian.

A música tem forma e cor, imagens invisíveis. Ao artista compete a liberdade, a sensibilidade e o saber para fazer de uma experiência e universalidade sonora um lugar privilegiado para o olhar interrogar e pensar não só o tema em questão, mas principalmente a natureza da arte visual.

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A visualidade da bossa nova

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Cultura: do pensamento para o entretenimento

 

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