A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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O futebol e suas faces que nem Freud explica

(José Sarmento)

Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados e cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir pelos campos de várzeas paulisnas.

Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos, que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.

A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.

Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.

Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?

Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.

Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.

Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.

Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.

Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.

No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.

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