A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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O planeta dos macacos

(Conrad Rose)

Tá bom, sei que estou atrasado, porém o fato percorrerá os anos. Confesso que permaneci em transe, durante um dia inteiro. Rir nunca é demais; e estupefato é o termo. Dizem por aí que a soberba do favoritismo pode destruir o êxito na próxima copa. Concordo, porém atrevo-me a engrossar o coro: tá tudo dominado.

Estamos dois canecos na frente de qualquer outra seleção - distância inédita na história, fomos campeões em três continentes e exportamos atletas para a primeira divisão de pelo menos cinqüenta países. O Brasil é uma continental escola de futebol. Então, esbaldemo-nos com os últimos acontecimentos...

Sobramos na Coréia, brilhamos na Colômbia e bailamos na Alemanha. Quer mais? Claro, sempre. Mas o que não nos falta é assunto, certo?

Quarta-feira passada foi fácil, tranqüilíssimo. E sem aquela frescura do Tevez de roçar a bola. (Aliás, avisa lá prá ele que os macaquitos exigem respeito.) De forma indomável, o escrete canarinho engoliu los otros - sem dó ou piedade.

Tirei o volume da tela e rodei Ari Barroso na vitrola, sincronizando - num luxo só - na cadência da bola de pé em pé, até ser chutada ao gol. Rolou assim a maior parte do tempo e com austeridade. A seleção batalhou pela pelota e correu muito, nunca fugindo do pau. No mano. Sem nunca abdicar da estética.

O passeio foi helenístico. Transcendeu o futebol, regressou aos primórdios do esporte e há de tornar-se lenda através dos séculos. O termo arte poucas vezes se fez tão encaixado. Uma vitória incontestável do encantador futebol: veloz, inteligente, habilidoso e solidário. Deu samba.

A qualquer vizinho, segue um único conselho: és mejor tú guardar una copia del juego para tus ninõs.

Anestesiado estou. Parreira prá presidente!

(Curitiba, 30/06/2005)

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