Maneiro ir de bonde: apanha-o na Central - entre o Largo da Carioca e a Cinelândia,
custa sessenta centavos, desembarca-se no Curvelo, caminha uns vinte minutos
- em passos cadenciados pois a paisagem obriga, e chega-se ao Museu.
Pagando dois, acessa-se um acervo e tanto: Di Cavalcanti, Dalí, Matisse,
Picasso, entre tantos; mas o que faz jus ao nome, é a leitura plástica
de Dom Quixote por Cândido Portinari. (Sobremaneira! - como grifaria Lívia
Santana.) Quinze cenas engavetadas.
Literalmente impagável e acessível em absurdo. O marcante romance
encontra-se complementado lá, aos olhos mais brasileiros do mundo.
Convém os pais apresentarem aos filhos, os professores aos alunos e os
amigos entre si. Melhor após a leitura da obra de Cervantes. Taí
a dica dum presente com repique.
Também há relva pra piquenique, na companhia dos micos que chacoalham
os galhos das árvores ao redor - e adoram manga e banana(!). Nesta hora,
reler alguns trechos do supracitado livro, é uma experiência reveladora.
De terça não abre; no mais: das doze às dezessete. No primeiro
domingo do mês, ainda tem roda de samba no Curvelo ao crepúsculo,
com o Pão de Açúcar no fundo.
Se três e vinte é muito por isso, existe a opção
de tomar carona no estribo do bonde, doutro lado dos Arcos da Lapa, incrementando
aventura ao passeio, porque tem que embarcar no elétrico em movimento.
(Eternamente grato, Dona Brígida.)
(Curitiba, 24/06/2005)