Se não levarmos a sério toda essa conversa de sustentabilidade
do planeta, certamente veremos, ou melhor, nem veremos, pois não estaremos
mais aqui para ver, a existência humana tornar-se cenário semelhante
ao premonitório filme de Steven Spielberg, lançado em 2001, conhecido
como A.I, ou seja, Inteligência Artificial. Seria mais ou menos assim...
Fantástico encontro com a natureza... ciborgs turistas do mundo inteiro
vão ao Pantanal Matogrossense para conhecer a mistura singular de seres
humanos e vegetação em um ecossistema grandiosamente preservado,
apesar da ação predatória dos ciborgs. Em passeios motorizados,
de barco e por trilhas bem demarcadas é possível deslumbrar-se
com políticos corruptos em fuga, pessoas famintas em busca de alimento,
criminosos de alta periculosidade em liberdade condicional, profissionais liberais
mendigando emprego, prostitutas em desfile por veredas verdejantes, traficantes
em lutas severas com policiais pela posse de territórios de livre comércio
e vários outros seres humanos sobrevivendo tranquilamente em seu habitat
natural. A época mais adequada para observá-los mais de perto
é entre maio e setembro, quando há a seca dos rios e eles ficam
mais sedentos e aflitos, saindo das florestas, procurando ficar mais próximos
a lagos e riachos. Durante a cheia, de outubro a abril, o lugar se transforma
num paraíso para observadores de humanos emigrantes ilegais, particularmente
criminosos americanos e europeus, que buscam impunidade na bela paisagem tropical.
A aventura pode incluir também agradabilíssimos safáris
noturnos, nos quais se dispensam óculos de visão noturna, caso
os ciborgs turistas sejam das séries WY9/700 a WS11/1000 - momentos que
rendem belas fotografias da paisagem e do homo sapiens em extinção.
Outra cena típica e muito interessante da região são modelos
de ciborgs fora de linha pilotando motocicletas e tocando os humanos pelo campo,
reunindo-os nas cúpulas de conservação, atividade rotineira
nas fazendas de preservação. Para Carlos Marconetto, ciborg-diretor
operacional da Prensas Hidráulicas de Reciclagem do Estado de São
Paulo, que esteve no pantanal com ciborgs amigos, o que mais o impressionou
foi "a vida simples dos ciborgs do pantanal, vivendo afastados das grandes
metrópoles e não afetados pelos males que elas apresentam, e a
conscientização da necessidade de preservar humanos naquela área
maravilhosa e singularmente natural. Ele, ainda, recomenda que todos devem visitá-la
como aprendizado e experiência de vida".
A narrativa é ficcional, mas poderá ser verídica, por mais
incrível que pareça, talvez em mais um ou dois séculos.
A ciência ao longo dos tempos vem avançando em suas descobertas,
elevando e melhorando a vida do ser humano em todos os setores, concedendo-lhe
melhor qualidade de vida e mais conforto. Seu avançar vem se acelerando
graças ao impulso incessante proporcionado pela tecnologia, na qual tem
como mola propulsora a computação. Aos poucos, a ideia de se criarem
robôs e ciborgs - máquinas que substituam o homem em atividades
repetitivas e perigosas - está cada vez mais pertinente no destino do
homem, visando preservá-lo, dar-lhe mais e maiores possibilidades e promover-lhe
conforto. Seja na indústria, na saúde, nos afazeres domésticos,
nos serviços de segurança ou mesmo nos campos de batalha. Esse
pensamento não é de todo uma mentira. A realidade ao longo dos
tempos foi deturpada, graças ao cinema e à mídia que conseguiram
criar erroneamente uma ideia na sociedade do que realmente são robôs
e ciborgs, figuras que são diferentes.
Primeiramente, ciborg é um organismo cibernético, ou seja, um
organismo dotado de partes orgânicas e mecânicas, no qual as partes
mecânicas têm a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando
tecnologia artificial. Mais elucidativo: seriam seres humanos que utilizam tecnologia
cibernética para reparar ou superar deficiências físicas
ou mentais em seus corpos. Por exemplo, uma pessoa que possui um membro mecânico
a fim de superar uma limitação decorrente de algum acidente. Ela
seria um ciborg, parte humana e parte mecânica.
Robô é um dispositivo ou conjunto de dispositivos eletromecânicos
capazes de realizar tarefas de maneira autônoma, pré-programada,
ou através de controle humano. Normalmente são empregados na realização
de tarefas perigosas ou sujas para os seres humanos. Os robôs são
mais comumente empregados nas linhas de produção industrial, no
tratamento do lixo tóxico, na exploração subaquática
e espacial, cirurgias, mineração, busca e resgate, localização
de minas terrestres. Também são empregados nas áreas de
entretenimento e tarefas domésticas. Um robô totalmente autônomo
na realidade tem habilidade de trabalhar por meses ou anos sem nenhuma interferência
humana; deslocar-se de um ponto ao outro sem necessidade de navegação
humana; evitar situações que são perigosas para o ser humano;
coletar informações do ambiente onde se encontra; e reparar-se
sem ajuda externa.
Percebe-se que na realidade robô e ciborg são conceitos diferentes,
embora de natureza semelhante. E foi desta proximidade que o cinema e a mídia
criaram o pensamento que hoje se tornou popular e digamos "verídico".
Mas a ideia, apesar de deturpada, está caminhando de encontro com a evolução
da humanidade.
O homem vem destruindo o planeta onde sempre morou e a si mesmo. Desenvolveu
a poluição, em suas diversas formas; promove o consumo exagerado,
descontrolado, motivado por uma industrialização e por um capitalismo
selvagem que ele mesmo estimulou a crescer e não consegue mais controlar;
com suas pesquisas científicas desencadeou doenças que se proliferam,
difíceis de debelar, que acabam por fazer milhares de vítimas;
atua na destruição de valores vegetais e minerais, ato que reflete
nos ecossistemas, levando à extinção de espécies;
e de forma contundente, sua ação consumista reflete na natureza,
ocasionando severas mudanças ambientais, que geram tempestades, tornados,
furacões, maremotos, terremotos, inundações, desequilíbrios
ambientais causadores de destruição e de milhares de mortes.
O homem admite seu erro, parcialmente, mas não quer assumi-lo, não
quer mudar sua conduta para não perecer sobre a própria avareza,
sobre sua ganância irrefreável. No momento que se percebeu a tragédia,
que ocorre paulatinamente, surgiu uma mentalidade que conhecemos por desenvolvimento
sustentável ou apenas sustentabilidade. A sustentabilidade é uma
maneira de permitir o provimento das necessidades da geração atual
sem comprometer as condições do provimento das gerações
futuras. Viver e crescer de forma comedida e planejada, visando preservar a
natureza e os ecossistemas, agindo na manutenção indefinida de
seus valores. A sustentabilidade se preocupa e luta para que o homem e a natureza
não venham a perecer depois de tanto se conquistar, de tanto se construir.
Ela luta para que isso não venha a acontecer. E caso a humanidade não
mude sua conduta, sua mentalidade e princípios, acabaremos tornando real
a ideia ficcional de hoje, de um mundo dominado por máquinas semelhantes
fisicamente ao homem, dotadas de inteligência artificial, uma entidade
homem-máquina, que poderá vê-lo no futuro como algo inferior,
mas importante sob o aspecto da preservação ambiental. Afinal
máquinas inteligentes, como o homem, pensarão como, da maneira
no futuro. Parece fantasia? Nem tanto assim.