A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Gol contra de Bruno

(Hélio Consolaro

"E é necessário ser um monstro de virtude para amar, lamentar e ajudar a viver estes desprezíveis sacos de tripas que somos."
(Máximo Gorki, escritor russo)

As coincidências existem. Ou apenas não conseguimos ver nelas o raciocínio causa - consequência? Este croniqueiro prefere dizer que não temos olhos para elas.

A Seleção Brasileira foi eliminada, só nos sobrando no noticiário até 11 de julho o caso do goleiro Bruno. Uma ironia do destino? Simples coincidência?

Parece que a realidade quis nos mostrar como anda o futebol brasileiro: mal das pernas, pior nos bastidores. Pelo menos, serviu para ofuscar o fracasso do treinador Dunga. Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa, mas o Flamengo: Adriano, Wagner Love, etc.

Esse negócio de ter um ídolo, sempre deixa muita gente a pé, mas continuamos a idolatrar. Um garotinho carioca, cujo ídolo era o goleiro Bruno, se revelava decepcionado numa entrevista rápida na tevê. Ele queria ser como o jogador quando crescesse. Mude o caminho, garoto!

Está provado mais uma vez que ninguém é perfeito e idolatrar não é o caminho. Aliás, há um conselho: não queira conhecer seu ídolo de perto, vai se decepcionar. Idolatrar = idealizar.

O futebol não está podre, na verdade, o ser humano sempre foi essa caca, só não vê quem não quer. Há gente boa ou ruim em todas as atividades humanas. Aliás, esse negócio de "bom" e "ruim" é muito relativo. Ninguém é só maldade, a cobra tem lá sua serventia.

Há gente quixotesca, quer consertar o mundo. Que pretensão! Jesus Cristo veio trazer a boa nova, mas o homem velho continua intacto, às vezes, dirigindo igrejas. As tragédias gregas se repetem a cada instante. A essência continua a mesma, mudamos apenas as lantejoulas.

- Filho, quando crescer, quero que seja jogador de futebol, ganhar dinheiro fácil, dizia o pai ao garoto.

Talvez, o pai de Bruno tenha dito isso a ele também. Assim, a grana se tornou a sua única referência. E assim formou-se também a maria-chuteira Elza Samudio.

Quando vejo aquelas filas imensas nas lotéricas, sinto que a mentalidade mudou pouco, por isso que muitos caem no conto do vigário, se aventuram no tráfico, correm atrás de milagreiros, acreditam em facilidades.

Então, caro leitor, este croniqueiro pensa em voz, não contente, ainda escreve seus pensamentos vadios, por isso apresento aqui a minha solidariedade ao goleiro Bruno. Não se trata de um frango em pleno Maracanã, ele mesmo marcou o gol contra.

Não bata no peito, caro leitor, dizendo que está salvo, nem atire a primeira pedra, cada ser humano é vulnerável a tragédias. Bruno, agora, está no palco. Tempos atrás, foi Judas Iscariotes. Quem será o próximo?

(17.7.10)

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