Uma arma não é um simples instrumento de matar. É um
instrumento de poder. Ter uma arma nas mãos, dominando a técnica
de manejá-la, traz um sentimento indescritível de onipotência
que supera todo e qualquer ensinamento pacifista baseado em frases feitas e em
princípios rígidos. Se o uso da arma vem acompanhado das bênçãos
de uma religião, então, tem-se o assassino perfeito. E este assassino
perfeito só supera aquele que se julga "abençoado" por
uma ideologia que irá trazer a felicidade e a justiça para os homens.
No mundo de hoje, todo o poder emana das armas. Manda quem as usa e, principalmente,
quem controla quem as usa. Exerce o poder quem conta com a onipotência das
armas. Deixa-se dominar quem se vê impotente diante da força das
armas. O onipotente submeteu o impotente desde o início dos tempos. Não
foi à-toa que alguém disse um dia que "contra a força
não há resistência".
Se as palavras acima retratassem fielmente a nova ordem mundial, teríamos
chegado a uma ordem capaz de harmonizar, mesmo sob o império do medo, o
mundo em que vivemos.Os detentores das armas controlariam a população
desarmada e o mundo viveria em paz. Entretanto, nossa teoria, que não contém
nenhum juízo de valor, mas apenas reinterpreta os planos daqueles que arquitetaram
a chamada "nova ordem mundial" imposta no final do século passado,
tem algumas falhas. E estas falhas são as principais responsáveis
pelas rachaduras que comprometem e podem levar a um catastrófico desabamento
nosso "mais-que-perfeito" mundo globalizado democrático e humanista.
Os homens jamais pensarão de maneira uniforme porque, simplesmente, eles
não vivem de maneira uniforme. E não estamos aqui falando de comunismo
e de diferenças econômicas e/ou sociais. Estamos falando de culturas,
religiões e histórias totalmente diferentes e divergentes. Os povos
que não querem se submeter ao nosso "admirável mundo novo"
também sabem fazer uso do poder das armas. E ainda causarão muitos
prejuízos e muitas mortes até que sejam exterminados por um lento
e gradual genocídio, desaparecendo da face da terra e dando lugar a povos
supostamente mais cordatos, de índole pacífica e mais afinados com
os princípios da democracia e da filosofia humanista. Porém, mesmo
que a "coalizão" liderada pelos E.U.A. vença a "guerra
contra o terrorismo", não haverá paz no mundo porque os pobres
e miseráveis, unidos ao crime organizado, continuarão a usar armas
para matar e aterrorizar tanto onipotentes quanto impotentes. Os famintos, cada
vez mais, se unirão aos que, possuidores de armas, apresentarem a eles
uma possibilidade de uma existência digna, apesar de curta.
E a violência e o caos reinarão sobre a Terra até o dia em
que os homens abolirão e destruirão, junto com as armas, todas as
diferenças que levaram à divisão dos seres humanos em onipotentes
e impotentes. Isto, se este dia chegar antes da destruição total
da vida no planeta.