A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Paz e desarmamento

(Luiz Lyrio)

Uma arma não é um simples instrumento de matar. É um instrumento de poder. Ter uma arma nas mãos, dominando a técnica de manejá-la, traz um sentimento indescritível de onipotência que supera todo e qualquer ensinamento pacifista baseado em frases feitas e em princípios rígidos. Se o uso da arma vem acompanhado das bênçãos de uma religião, então, tem-se o assassino perfeito. E este assassino perfeito só supera aquele que se julga "abençoado" por uma ideologia que irá trazer a felicidade e a justiça para os homens.

No mundo de hoje, todo o poder emana das armas. Manda quem as usa e, principalmente, quem controla quem as usa. Exerce o poder quem conta com a onipotência das armas. Deixa-se dominar quem se vê impotente diante da força das armas. O onipotente submeteu o impotente desde o início dos tempos. Não foi à-toa que alguém disse um dia que "contra a força não há resistência".

Se as palavras acima retratassem fielmente a nova ordem mundial, teríamos chegado a uma ordem capaz de harmonizar, mesmo sob o império do medo, o mundo em que vivemos.Os detentores das armas controlariam a população desarmada e o mundo viveria em paz. Entretanto, nossa teoria, que não contém nenhum juízo de valor, mas apenas reinterpreta os planos daqueles que arquitetaram a chamada "nova ordem mundial" imposta no final do século passado, tem algumas falhas. E estas falhas são as principais responsáveis pelas rachaduras que comprometem e podem levar a um catastrófico desabamento nosso "mais-que-perfeito" mundo globalizado democrático e humanista.

Os homens jamais pensarão de maneira uniforme porque, simplesmente, eles não vivem de maneira uniforme. E não estamos aqui falando de comunismo e de diferenças econômicas e/ou sociais. Estamos falando de culturas, religiões e histórias totalmente diferentes e divergentes. Os povos que não querem se submeter ao nosso "admirável mundo novo" também sabem fazer uso do poder das armas. E ainda causarão muitos prejuízos e muitas mortes até que sejam exterminados por um lento e gradual genocídio, desaparecendo da face da terra e dando lugar a povos supostamente mais cordatos, de índole pacífica e mais afinados com os princípios da democracia e da filosofia humanista. Porém, mesmo que a "coalizão" liderada pelos E.U.A. vença a "guerra contra o terrorismo", não haverá paz no mundo porque os pobres e miseráveis, unidos ao crime organizado, continuarão a usar armas para matar e aterrorizar tanto onipotentes quanto impotentes. Os famintos, cada vez mais, se unirão aos que, possuidores de armas, apresentarem a eles uma possibilidade de uma existência digna, apesar de curta.

E a violência e o caos reinarão sobre a Terra até o dia em que os homens abolirão e destruirão, junto com as armas, todas as diferenças que levaram à divisão dos seres humanos em onipotentes e impotentes. Isto, se este dia chegar antes da destruição total da vida no planeta.

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