Enfim aposentado, acho que parei de dar aulas de História na hora certa.
Confesso que não teria estômago para ensinar para meus alunos as
mesmas coisas que ensinei nos meus últimos anos de sala de aula.
Não ensinaria hoje para meus alunos, por exemplo, que a democracia existe
em algum país da Terra. Hoje, diria para eles que a democracia é
apenas um ideal distante que talvez, um dia, prevaleça no mundo, mas
que, por enquanto, é uma mera utopia que alguns países fingem
ter alcançado.
Quanto à Declaração Universal dos Direitos Humanos, eu
ensinaria que é um documento que contém direitos que nenhum governo
assegura aos seus cidadãos. A utilidade deste documento é a de
fornecer munição para que governantes ataquem seus inimigos, cobrando
a garantia desses direitos aos cidadãos... dos outros países.
Hoje, eu não jogaria tanto peso na condenação de Hitler
nem de Stalin. Estes dois estão superados e enterrados. São coisas
do passado. A História deve ser estudada com um olho no passado, mas
com o outro no presente. Assim, hoje, deveríamos nos preocupar mais com
os novos carniceiros que massacram impunemente milhares de pessoas, enquanto
o mundo finge que não vê.
Hitler foi condenado ao desprezo eterno por ter feito muito menos do que os
EUA fizeram pelo mundo afora com outros povos. Desde o Vietnã até
o Iraque, duvido muito que os números de vítimas feitas pelos
"defensores da liberdade" não tenha suplantado os números
de vítimas mortas pelos nazistas. E as principais vítimas do nazismo,
os judeus, hoje se divertem massacrando palestinos em matanças que chamam
de guerras. É estranho o "placar" das últimas "guerras"
promovidas pelos judeus. É uma coisa assim entre 400 mortos do lado adversário
contra 04 mortos do lado de Israel. Que eficiência! Que máquinas
de guerra perfeitas são estes judeus! Não, eu jamais ensinaria
para meus alunos que existe uma guerra entre judeus e palestinos. Ensinaria
que um Estado de Israel armado até os dentes massacra sistematicamente
o povo palestino. E, sinceramente, não saberia explicar para meus alunos
porque Saddam Hussein foi enforcado, se, perto do genocídio cometido
pelos israelenses contra o povo palestino, ele me parece um anjo de bondade.
Como professor, eu também teria grande dificuldade em ensinar para os
meus alunos que a ONU é uma organização que visa manter
a paz no mundo e unir as nações. Prevaleceria a tentação
de dizer a verdade, ou seja, que a ONU é uma organização
a serviço dos países ricos, feita para censurar e impor sanções
aos países que se opõem a eles e para legitimar as ações
belicosas levadas a cabo pelos países que dominam o mundo, incluindo
aí invasões e ocupações de territórios.
A visão de mundo que eu passaria para meus pupilos não seria nada
animadora. Assim, sinto grande alívio por ter me aposentado. Afinal,
eu seria um perigo para a educação dos pequeninos. Ao contrário
de valores como honestidade, amor à verdade, à liberdade, certamente,
nesta altura da vida, eu acabaria dizendo que a verdade, no mundo, é
a verdade fabricada por quem ter poder econômico e militar. Que a História
que conhecemos é escrita sob a ótica dos vencedores. Que a honestidade
é relativa, dependendo dos interesses em jogo, num mundo em que até
a corrupção foi globalizada. Que, no mundo em que vivemos, só
tem liberdade quem tem poder.
Deus sabe o que faz e encerrou minhas atividades de professor na hora certa.
Num mundo como o nosso, exercer o papel de educador seria muito penoso para
mim.