Em pleno século XXI, nós, professores da rede pública,
continuamos recebendo uma miséria, enquanto as condições de trabalho nas escolas continuam péssimas. Nossos
poderosos chefões mudam, mas sua política prejudicial ao professor
continua a mesmo. Constantemente, somos vítimas de calotes, atrasos de
pagamentos de direitos e somos prejudicados pelos malditos planos de carreira
fajutos que só visam economizar para o governo e exigir mais do pobre
professor.
Para piorar ainda mais a nossa situação, recentemente foram criadas
normas absurdas para conceder (leia-se "negar") licenças médicas, fazendo de tudo para tomar o dinheiro dos professores que adoecem.
Devido a esta nova política, colocada em prática por um pessoal
"mui amigo" que trabalha no Maletta, acabo de decretar minha independência.
Após 33 anos de servidão pública, aos 57 anos, decidi:
irei trabalhar somente nos dias em que estiver com a saúde cem por cento
em ordem. Sofro de Esofagite, Enfisema Pulmonar, Hipertensão, Depressão,
Insônia, Artrose nos dois joelhos, Labirintite, tenho um desgaste na cabeça
do Fêmur direito e do lado esquerdo tenho uma prótese de platina
que provocam fortes dores na Bacia, sofro de Hipotireoidismo e, em maio, fui
acometido por forte dor de cabeça, acompanhada de náusea e perda
temporária da memória. Segundo o médico que me atendeu
no Serviço de Urgência da Previdência, tais sintomas teriam
sido conseqüências de Atrofia Cerebral. Consultei outros médicos
que descartaram o diagnóstico inicial, mas nunca souberam explicar direito
o que tenho. Atualmente, tenho dores de cabeça constantes, que "curo"
com remédios para enxaqueca.
Trabalho, em desvio de função, na biblioteca da Escola Estadual
Tancredo Neves que, constantemente, é freqüentada por alunos mal
educados e agressivos que não respeitam ninguém. Ao longo da minha
carreira, cansei de ver colegas enfrentando alunos e sendo ameaçados
de morte. Em mesmo já sofri duas ameaças e, inclusive, alguns
colegas meus já foram assassinados no exercício da profissão.
Dia 12, pedi um pouco de ordem na Biblioteca para um grupo de baderneiros e
tive como resposta uma ordem de um aluno para fazer uma coisa que absolutamente
não gosto de fazer, uma vez que nunca tive tendências para práticas
homossexuais. Quando brigo com alguém, sinto uma dormência na cabeça,
falta de ar e meu coração dispara. Assim, quando, após
a ofensa do aluno o sangue me subiu à cabeça, abandonei a biblioteca,
entreguei a chave para a secretária da escola e fui para casa me deitar
um pouco. Consultei o médico que trata de mim há três anos
e ele me deu uma licença até o dia 22 de dezembro.
Ontem, fui ao Maletta, lá no quarto andar, onde trabalha aquele bando
de "colegas nossos mui amigos", e fui atendido por uma médica
perita arrogante e metida a besta, que, testemunhei, destratou a acompanhante
de uma paciente, negou-me a licença concedida por meu médico e
mandou-me retornar ao trabalho. Tudo isso no mais tradicional modo de atender
dos médicos do Maletta: sem tocar em mim ou, pelo menos, tirar a pressão
ou coisa parecida. Tudo baseado no "olhômetro" e num interrogatório
policialesco. Só faltou, ao final da consulta, a jovem perita mal humorada
e mal educada virar para mim e dizer: "Te peguei, meliante! Sua licença
está negada!".
Pensei em recorrer, pedir nova perícia, etc. Mas desisti. Não
quero mais mexer com isso. È uma trabalheira danada. E para que? Para
garantir uma mixaria no próximo contracheque? O governador que pegue
este dinheiro e faça bom proveito dele. Quem sabe ele não será
útil par pagar o novo aumento dos deputados?