A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Esporte e educação

(Luiz Lyrio)

O esporte, influenciado pelos valores em alta no admirável mundo novo, não tem comprido um papel positivo na educação dos nossos jovens. Se algumas modalidades ensinam o valor do esforço coletivo para se alcançar uma meta, hoje, na sociedade individualista, competitiva e belicosa do século XXI, o esporte tem contribuído menos do que poderia com a educação dos nossos jovens.

Desde que alguém disse que o importante não é vencer, mas competir, muita coisa mudou. Através da fala de torcedores e comentaristas, percebemos, hoje, que aquele que não ocupa o primeiro lugar numa competição é tratado e reconhecido como um perdedor. Só o primeiro lugar tem valor, o que estimula e incentiva, para se chegar ao pódio, a prática da violência, do doping e de outros recursos condenáveis. Atualmente, o importante é vencer. Para alguns, a qualquer custo.

Para quem acha que estamos exagerando, basta lembrar as Olimpíadas da China. Nesse evento, muitos medalhistas de prata e de bronze foram tratados pelos comentaristas da TV como perdedores. Com exceção dos nossos atletas que surpreenderam, aqueles que entraram em finais com chance de vitória e não conquistaram o ouro, como no caso do vôlei de quadra masculino, foram tratados pelos como perdedores da medalha de ouro ao invés de serem festejados, como mereciam, por ter conquistado a prata.

Qualquer um de nós, se estivesse entre os cem melhores do mundo naquilo que faz, seria feliz. Mas o esporte não passa essa idéia, especialmente para os jovens, dando a todos a falsa impressão de que só é feliz aquele que conquista o primeiríssimo lugar numa competição.

Voltando nossas atenções para o esporte preferido dos brasileiros, é impressionante como se desce do céu ao inferno, em questão de segundos, no mundo do futebol. O herói de hoje é o vilão de daqui a pouquinho. O craque de ontem é o gordo inútil de amanhã. A grande equipe de hoje é o timinho de daqui a noventa minutos. Outro aspecto do mundo do futebol que merece ser analisado é o endeusamento de alguns atletas, tirando desse esporte o seu caráter coletivo e passando-se a falsa impressão de que um time ganha ou perde por méritos ou defeitos de um só indivíduo.

A bem da verdade, o esporte em si não educa nem deseduca. O que educa ou deseduca é o comportamento daqueles que ensinam, daqueles que mandam e daqueles que trabalham na imprensa. Por isso, dirigentes, treinadores, professores e comentaristas da imprensa esportiva, pessoas que exercem grande influência no comportamento de atletas e torcedores, devem estar bastante atentos ao que dizem e escrevem.

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