O esporte, influenciado pelos valores em alta no admirável mundo novo,
não tem comprido um papel positivo na educação dos nossos
jovens. Se algumas modalidades ensinam o valor do esforço coletivo para
se alcançar uma meta, hoje, na sociedade individualista, competitiva
e belicosa do século XXI, o esporte tem contribuído menos do que
poderia com a educação dos nossos jovens.
Desde que alguém disse que o importante não é vencer, mas
competir, muita coisa mudou. Através da fala de torcedores e comentaristas,
percebemos, hoje, que aquele que não ocupa o primeiro lugar numa competição
é tratado e reconhecido como um perdedor. Só o primeiro
lugar tem valor, o que estimula e incentiva, para se chegar ao pódio,
a prática da violência, do doping e de outros recursos condenáveis.
Atualmente, o importante é vencer. Para alguns, a qualquer custo.
Para quem acha que estamos exagerando, basta lembrar as Olimpíadas da
China. Nesse evento, muitos medalhistas de prata e de bronze foram tratados
pelos comentaristas da TV como perdedores. Com exceção
dos nossos atletas que surpreenderam, aqueles que entraram em finais com chance
de vitória e não conquistaram o ouro, como no caso do vôlei
de quadra masculino, foram tratados pelos como perdedores da medalha
de ouro ao invés de serem festejados, como mereciam, por ter conquistado
a prata.
Qualquer um de nós, se estivesse entre os cem melhores do mundo naquilo
que faz, seria feliz. Mas o esporte não passa essa idéia, especialmente
para os jovens, dando a todos a falsa impressão de que só é
feliz aquele que conquista o primeiríssimo lugar numa competição.
Voltando nossas atenções para o esporte preferido dos brasileiros,
é impressionante como se desce do céu ao inferno, em questão
de segundos, no mundo do futebol. O herói de hoje é o vilão
de daqui a pouquinho. O craque de ontem é o gordo inútil de amanhã.
A grande equipe de hoje é o timinho de daqui a noventa minutos. Outro
aspecto do mundo do futebol que merece ser analisado é o endeusamento
de alguns atletas, tirando desse esporte o seu caráter coletivo e passando-se
a falsa impressão de que um time ganha ou perde por méritos ou
defeitos de um só indivíduo.
A bem da verdade, o esporte em si não educa nem deseduca. O que educa
ou deseduca é o comportamento daqueles que ensinam, daqueles que mandam
e daqueles que trabalham na imprensa. Por isso, dirigentes, treinadores, professores
e comentaristas da imprensa esportiva, pessoas que exercem grande influência
no comportamento de atletas e torcedores, devem estar bastante atentos ao que
dizem e escrevem.