A libertação da mente humana passa, obrigatoriamente, pelo descarte
da noção de que todo confronto é resultante de uma luta
do bem contra o mal.
Quando descobrimos que, num conflito, estão envolvidos vários
lados, e não apenas dois já damos um largo passo no sentido de
nos tornarmos interior e verdadeiramente livres.
Quando nos capacitamos a enxergar que, na maioria das lutas, todos os lados
são, a seu modo, tão bons e tão maus quanto os outros,
conseguimos atingir o ápice da capacidade de compreender o mundo.
Livres da obrigação de tomar partido ao lado de um suposto bem
em luta contra um suposto mal, tornamo-nos aptos e viver, a julgar, a perdoar,
a celebrar e a fazer prevalecer a paz na Terra para todos os homens.
Não esperemos, entretanto, que nosso próximo passo enquanto espécie
se dê sem que esbocemos nenhuma reação, olhando, fascinados,
enquanto conduzidos ao matadouro por falsos guias, os rios de sangue que correrão
pelas mãos dos fanáticos cegos desse ou daquele lado. Como Ele
mesmo disse: "... poucos serão os escolhidos". Talvez nenhum.