Na segunda-feira, 26/02/2007, Ana Lúcia Monteiro Vilela perdeu sua vida
terrena, após mergulhar no Rio Peixe, em Lima Duarte, na Zona da Mata
Mineira, para salvar sua filha Juliana de Castro Monteiro, de nove anos, que
estava se afogando.
Nadando contra a corrente num mundo em que mães matam seus filhos e
pais estupram suas filhas, Ana Lúcia, com sua atitude heróica,
fez muito mais do que salvar a vida de sua filha. Ela nos deixou um exemplo
e nos lembrou de valores há muito esquecidos. É bom saber que
ainda existe (sim, porque Ana Lúcia morreu, mas vai existir sempre, se
não a deixarmos ser esquecida.) gente que prefere perder a vida a ver
um filho morto. Até a bem pouco tempo, qualquer animal humano estaria
disposto a fazer isso por sua cria. Para todo ser humano, a pior dor da vida
seria a perda de um filho. A vida perderia o sentido para quem perdesse um filho,
tendo como dar a vida por ele.
Mas hoje isso não acontece mais. Vivemos na sociedade do consumismo,
do individualismo exacerbado, da busca dos quinze minutos de fama a qualquer
preço, onde se faz tudo por dinheiro e onde, inclusive, pais vendem seus
filhos e filhos matam seus pais para herdar suas fortunas. Daí, surpreender-nos
o exemplo da heroína Ana Lúcia. Daí este exemplo ser tão
importante e oportuno no nosso vasto e pequeno mundo novo globalizado.
No dia 08 de março, dia internacional da mulher, e em todos os dias
vindouros, Ana Lúcia deve ser lembrada. Ser mulher, além das novas
funções que a mulher tem que ocupar na sociedade, inclui, ainda
(e, hoje, mais do que nunca) ser mãe. Aliás, o mundo precisa cada
vez mais da mulher, que, ao contrário da maioria dos homens, coloca sua
inteligência privilegiada a serviço da sensibilidade.
Só esperamos que não seja tarde demais para que as mulheres,
ocupando mais espaço nas instâncias de Poder, contribuam de forma
decisiva, com sua sensibilidade, habilidade e inteligência, para reparar
as conseqüências de todas as bobagens que nós, homens, fizermos
com o Planeta ao longo dos séculos.